O achado do corpo de uma cidadã com uma das orelhas removida e rasuras na pele da testa, no interior da Casa Mortuária do Hospital Provincial de Chimoio (HPC), desencadeou uma onda de consternação e abriu uma investigação pericial em curso.
A vítima havia sido internada na referida unidade sanitária devido a complicações de saúde. Após a declaração do óbito, o cadáver foi transferido para as instalações da morgue, onde permaneceu durante cerca de 24 horas até ser reclamado pela família.
SÉRNIC e Medicina Legal avaliam causas das lesões
O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) realizou exames periciais no local para determinar se os danos no corpo decorreram de ação humana deliberada ou de roedores e outros animais no recinto.
Declaração da Família: Fernando João, viúvo da finada, expressou perplexidade diante da situação. "No dia seguinte encontramos o corpo incompleto. Não sei se foi cortado por uma pessoa ou comido por animais. A nossa prioridade agora é realizar o funeral; os procedimentos judiciais serão seguidos a posterior", afirmou.
Posição Médica: O médico legista do HPC, Manuel Dove, indicou suspeitar que a mutilação tenha ocorrido na morgue e não na medicina legal. O profissional evitou diagnósticos definitivos, ressaltando que a confirmação depende da autorização da família para uma autópsia completa.
Autarquia descarta tráfico de órgãos e anuncia medidas urgentes
O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, João Ferreira, pediu publicamente desculpas à família enlutada e classificou o sucedido como "inconcebível". O edil descartou a tese de tráfico de órgãos humanos, dado que nenhuma outra estrutura anatómica foi retirada.
A apuração preliminar revelou que o cadáver deu entrada no período noturno, tendo sido depositado no chão da zona das câmaras frigoríficas antigas sem formalização de receção por parte dos funcionários municipais encarregados da gestão do espaço.
Para sanar as falhas operacionais e prevenir futuros incidentes, o Conselho Municipal anunciou um plano de contingência imediato:
Controlo de Entradas: Implementação de protocolo rigoroso de coordenação com o HPC para a receção formal de cadáveres.
Vigilância e Infraestrutura: Reestruturação das equipas de trabalho, reforço do pessoal de segurança, melhoria da iluminação pública nos acessos e instalação de câmaras de videovigilância (CCTV) na Casa Mortuária.
Responsabilização: Garantia de inquérito administrativo e criminal para identificar e punir eventuais responsáveis negligentes ou infratores.
