Presidente da associação dos profissionais de Saúde ameaçado de morte

 O presidente da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), Anselmo Muchave, que lidera uma agremiação composta por enfermeiros, técnicos de laboratório, motoristas e demais profissionais do sector da saúde, diz ter sido ameaçado de morte na tarde desta quinta-feira, 22.

 A denúncia vem do próprio visado, que está na linha de frente de uma reivindicação por melhores condições de trabalho no sector de saúde.

Através de uma ligação telefónica, feita a uma pessoa próxima dele, Muchave diz ter sido ameaçado por estar a liderar o grupo que protesta, junto do organismo governamental que tutela a Saúde, em busca de melhores condições no sector. 

Muchave, sublinha que as ameaças não vão conseguir intimidar a pretensão do grupo ou fazê-lo recuar. 

Num dos relatos das mensagens que foi transmitida àquele presidente, conforme explicado ao jornal, refere que se o mesmo não recuar nas reivindicações que está a levar a cabo, acabaria igual ao finado activista social e Director do FONGA (Fórum das ONGs de Gaza) Anastácio Matavel, assassinado brutalmente em Outubro de 2019, na província de Gaza, por agentes da Unidade de Intervenção Rápida (UIR), por ter estado, na altura, a liderar a formação de activistas para monitorarem as eleições daquele ano. 

No entanto, o visado diz que não foi possível identificar quem terá proferido as ameaças, mas prometeu participar o caso à polícia. 

“Entretanto, o preocupante é que esta não é é a primeira vez que casos do género são relatados. Outros funcionários, do Hospital Geral José Macamo (Cidade de Maputo), Santa Isabel, (província de Maputo), Centro de Saúde Urbano da Ponta Gêa (na província de Sofala), também foram ameaçados por terem aderido à greve, explicou.

As ameaças que o grupo tem vindo a sofrer são feitas de diversas formas. Um dos métodos denunciados no Centro de Saúde Urbano da Ponta Gêa incidiu em romper o estágio dos estudantes, que não se fizeram presente naquela unidade hospitalar no intervalo de 1 a 4 de junho corrente, período em que foi realizada a greve. No entanto, os estagiários nos centros de saúde devem ser acompanhados por um profissional e não podem realizar nenhum actividade sem esta condição, explicou uma das nossas fontes. 

Em Matutuíne, província de Maputo, são denunciados casos de profissionais que foram afastados de algumas actividades como a recente fase de vacinação contra a pólio. 

Isto ocorre depois de, na passada sexta-feira, 16 de junho corrente, os profissionais de saúde terem anunciado a retoma da greve, que estava suspensa por 15 dias, para esta segunda-feira, dia 19, depois de as negociações com o governo terem falhado. No entanto, durante o final de semana, os dois lados em divergências voltaram a reunir-se e acordaram uma extensão do período de suspensão da reivindicação válido por 60 dias, porém, as conversões voltariam a acontecer na noite de quinta-feira, dia 22 de junho corrente, onde na ocasião, seria submetida uma carta ao governo.

Os profissionais lutam por melhores condições de trabalho por conta da falta de materiais de protecção como luvas, uniformes, e medicamentos nos hospitais, bem como melhor enquadramento na Tabela Salarial Única. 

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique conta com pouco mais de 17 mil associados de todo o país, num universo de 52 mil profissionais existentes no sistema nacional de saúde.

(Fonte Savana)

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem