Dezenas de professores saíram no dia 04 de janeiro às ruas da Matola, em protesto pela falta de pagamento de horas extraordinárias, ameaçando boicotar o início do ano lectivo no país.
“Se o governo não responder às nossas preocupações, pode ter a certeza de que os professores, no dia da abertura [do ano lectivo], em vez de se apresentarem nas escolas, irão apresentar-se nos jardins, praças e ruas, para reivindicar seus direitos”, disse Isac Marrengula, presidente da Associação Nacional de Professores (ANAPRO), à imprensa.
A introdução da Tabela Salarial Única (TSU), em 2023, trouxe consigo vários problemas salariais, incluindo atrasos no pagamento de salários e horas extras para os funcionários do Estado.
exibindo cartazes com mensagens como “Enganaram-nos com a TSU” e “Paguem horas extraordinárias”, os professores marcharam pelas ruas da Matola de batas brancas, cantando canções de protesto e exigindo o pagamento de horas extraordinárias.
“Já atingimos o ponto de saturação”, disse um professor que participa na marcha.
O Ministro da Educação e Desenvolvimento Humano garantiu há quase dois meses que o pagamento de horas extraordinárias aos professores estava a ser feito “de forma gradual”, afirmação que os professores negam.
“A ministra é uma mentirosa sem escrúpulos que não merece estar no cargo que ocupa. Ela mentiu para nós. Estamos a falar de 13 meses de horas extraordinárias não pagas aos professores”, disse o presidente da ANAPRO.
Entretanto, um documento do Ministério da Economia e Finanças que o MZNews teve acesso, revela haver irregularidades no processo de aferição e verificação das horas extras.
Diz inclusive, não haver evidencias claras das horas extras compridas pelos professores.
Contudo, mesmo com este cenário, o porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (MINEDH), Manuel Simbine, diz estar em curso o trabalho de verificação e pagamento das horas extras.
