EMPRESÁRIOS NACIONAIS PEDEM PROTECÇÃO CONTRA CONCORRÊNCIA DESLEAL CHINESA NO SECTOR DE INERTES


Maputo
– A Associação dos Exploradores de Inertes na Província de Maputo apelou recentemente ao Estado para uma intervenção urgente, visando proteger os empresários moçambicanos do ramo face àquella que classificam como uma "invasão" de investidores chineses, receando uma verdadeira "recolonização" económica.

O apelo foi formulado durante um encontro com o Secretário de Estado na província de Maputo, Henrique Bong. Membros da agremiação expressaram profunda preocupação com a actuação dos investidores chineses, que, após servirem como clientes na compra de areia, passaram a explorar directamente a fonte, detendo uma capacidade operacional "bem acima da dos moçambicanos".


"Nós somos exploradores no rio, eles eram nossos clientes desde há muito, compravam areia a nós e revendiam. Hoje já querem ir à fonte", lamentou um dos exploradores presentes na reunião. A preocupação estende-se ao receio de que, se não houver protecção estatal para os empresários nacionais, "os chineses vão tomar conta de tudo, os chineses vão fazer tudo aqui neste país".

A Associação sublinha que os empresários nacionais têm assegurado o abastecimento de areia nas urbes moçambicanas e questionam a necessidade de abrir este trabalho aos chineses. "O chinês está em tudo hoje em dia, ele faz tudo, até bloco ele faz. O que falta amanhã é vermos chinês a vender tomate", acrescentou o mesmo empresário, sugerindo que os investimentos estrangeiros deviam focar-se em grandes investimentos que os moçambicanos não conseguem desenvolver.



Em resposta ao "grito de socorro" dos empresários, o Secretário de Estado Henrique Bong aconselhou a busca de diálogo entre os empresários e a associação, enfatizando que "a regra principal é seguir as normas que a associação reconhecida tem". A autoridade salientou, contudo, que não se pode proibir a extracção, desde que as regras sejam seguidas.

Segundo informações apuradas, os referidos investidores chineses possuem licença de exploração de inertes desde 2017, mas só este ano iniciaram as operações de extracção. A sua superior capacidade operacional é um dos pontos de maior apreensão para os exploradores nacionais.

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