Táxis Tradicionais em Crise: Ataxima Declara "Funeral" do Setor em Maputo

 


Será que é o fim do táxi tradicional?

Associação dos Taxistas da Cidade de Maputo (Ataxima) manifestou-se, esta semana, preocupada com a situação crítica que o setor de táxis convencionais atravessa na capital do país, face ao crescimento acelerado das plataformas digitais de transporte.

Segundo a Ataxima, a atividade está a caminhar para o seu "funeral", devido à perda massiva de clientes, à redução drástica do número de veículos em circulação e ao desaparecimento de várias praças de táxis que, durante anos, foram pontos de referência na cidade.

"Estamos a viver o fim do táxi tradicional. Teremos que organizar um funeral com alguma decência e enterrar essa questão de táxi", lamentou Anítal Fernando, motorista com mais de 30 anos de experiência, explicando que os preços praticados pelos aplicativos de transporte estão muito abaixo daquilo que os táxis convencionais conseguem oferecer.


De acordo com os profissionais, a discrepância nos custos de operação é o principal fator que tem levado à falência do setor. Enquanto os taxistas tradicionais são obrigados a pagar licenças anuais, seguros específicos e impostos – que rondam cerca de 2.000 meticais por viatura – os motoristas de aplicativos operam, na sua maioria, com viaturas privadas, livres de tais encargos.

Lucílio Banze, porta-voz da Ataxima, revelou números que ilustram a gravidade da crise. "Maputo chegou a ter mais de 2.000 táxis e 125 praças de estacionamento. Hoje, não passam de 500 veículos em circulação, e mais da metade das praças já foram desativadas", explicou.

Para os taxistas, esta situação representa concorrência desleal, pois, além da disparidade de custos, as plataformas digitais têm a vantagem de atrair os clientes com tarifas significativamente mais baixas, algo que os taxistas convencionais não conseguem sustentar.


A Ataxima apela às autoridades municipais e nacionais para que revejam os regulamentos em vigor, de modo a garantir igualdade de condições. A associação defende que os motoristas que operam através de aplicativos de transporte também sejam sujeitos às mesmas exigências fiscais e legais que os táxis convencionais.

"É injusto. Uma parte é favorecida e a outra parte não é levada em consideração", criticou Arlindo Lopes, outro taxista que ainda luta para manter-se no mercado.

Apesar da forte migração de clientes para os aplicativos de transporte devido ao fator preço, há ainda passageiros que preferem os táxis convencionais. Sara Khan, residente em Maputo, disse optar pelo serviço tradicional por acreditar que oferece maior segurança.

No entanto, a tendência aponta para uma perda contínua de espaço por parte dos táxis, à medida que os consumidores privilegiam soluções mais baratas e rápidas. Caso não haja intervenção do Estado para nivelar as regras do jogo, os taxistas tradicionais receiam que o setor desapareça de vez, ficando apenas na memória como um serviço que marcou a história da mobilidade urbana em Maputo.

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