VENDEDORES INFORMais EM “BRAÇO-DE-FERRO” COM O CONSELHO MUNICIPAL DE MAPUTO

 


O Conselho Municipal de Maputo iniciou, na manhã desta segunda-feira (25), uma operação de remoção de vendedores informais instalados nas principais avenidas da capital do país. A medida, que segundo as autoridades visa “reorganizar a cidade e devolver a sua beleza”, gerou forte contestação por parte dos vendedores, que se recusaram a abandonar os passeios.

A operação foi marcada por momentos de tensão, com a presença de brigadas municipais em diversos pontos estratégicos da cidade. Apesar de o município ter realizado, ao longo das últimas duas semanas, acções de sensibilização junto dos comerciantes, muitos afirmaram não ter alternativa para garantir a sua sobrevivência e, por isso, optaram por manter os seus postos de venda.

👉 “Não temos outro lugar para trabalhar, nem condições para pagar uma banca no mercado formal. Se nos tiram daqui, como vamos sustentar as nossas famílias?”, questionou uma das vendedoras, em entrevista a um dos órgãos de comunicação social presentes no local.

A situação evoluiu para um “braço-de-ferro” entre vendedores e autoridades municipais. Alguns comerciantes acusam o Conselho Municipal de aplicar a lei de forma desigual, afirmando que nos terminais de transporte ainda existem vendedores a operar livremente, sem qualquer intervenção.

Por sua vez, o município garante que a medida faz parte de um plano contínuo de reordenamento urbano e assegura que a fiscalização vai estender-se a todos os espaços públicos ocupados de forma desordenada.

👉 “Este trabalho não é de um dia. É um processo contínuo para devolver a ordem e a mobilidade à cidade. As avenidas devem servir para circulação e não para comércio informal”, explicou uma fonte do Conselho Municipal.

Maputo enfrenta há vários anos o desafio da ocupação desordenada dos passeios e avenidas, fenómeno que tem crescido devido ao desemprego e ao aumento do custo de vida. Embora reconheçam a necessidade de reordenação, muitos cidadãos pedem que o município encontre soluções alternativas, como a criação de mercados formais acessíveis, de forma a não prejudicar os pequenos vendedores que dependem do comércio informal para a sua sobrevivência.

Com esta acção, fica lançado mais um episódio da tensa relação entre vendedores informais e autoridades municipais, num processo que deverá continuar a marcar a agenda urbana da capital moçambicana nos próximos dias.

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