Moçambique prepara-se para participar, no próximo mês, na 30.ª Conferência das Partes sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que terá lugar em Belém do Pará, Brasil, num contexto de grandes fragilidades estruturais e financeiras para enfrentar os impactos das alterações climáticas.
Segundo dados divulgados pelo jornal O País, o país necessita de cerca de 7,6 mil milhões de dólares norte-americanos para implementar medidas de mitigação e adaptação climática, valor considerado essencial para reduzir a vulnerabilidade das populações e reforçar a resiliência das infraestruturas face a eventos extremos, como ciclones, cheias e secas prolongadas.
Contudo, Moçambique chega à cimeira com um nível de despreparo preocupante, tanto no plano técnico como no institucional. Fontes próximas da delegação moçambicana revelam que o país não dispõe, até ao momento, de um pavilhão próprio no recinto da conferência — espaço habitualmente usado pelos Estados para expor projectos, promover parcerias e apresentar propostas de financiamento a potenciais doadores e investidores internacionais.
Especialistas em ambiente e clima consideram esta situação um reflexo da fraca capacidade de coordenação interministerial e do reduzido investimento interno no sector. “O país é dos mais vulneráveis de África aos efeitos das mudanças climáticas, mas continua sem uma estratégia clara de mobilização de recursos e sem um plano de comunicação eficaz”, observa um analista ouvido por O País.
O Governo moçambicano reconhece as limitações, mas garante que a delegação nacional participará activamente nas sessões plenárias e nos painéis temáticos. “Estamos a trabalhar para garantir que a voz de Moçambique seja ouvida, mesmo sem grandes recursos logísticos”, afirmou uma fonte do Ministério da Terra e Ambiente.
Nos últimos anos, Moçambique tem sido repetidamente afectado por desastres naturais de grande escala, incluindo os ciclones Idai e Kenneth (2019) e Freddy (2023), que deixaram milhares de mortos e deslocados, além de danos económicos avaliados em centenas de milhões de dólares.
Enquanto o país luta por apoio financeiro e tecnológico, a comunidade internacional volta a debater, na COP 30, o financiamento climático prometido às nações em desenvolvimento, compromisso que, até aqui, tem sido marcado por atrasos e incumprimentos por parte das potências industriais.
Sem estrutura de exposição e com poucos meios, Moçambique vai à COP 30 com mais preocupações do que soluções, procurando, acima de tudo, relembrar ao mundo a urgência de agir antes que o clima torne irreversível o sofrimento das suas populações.
