MOZAL VAI SUSPENDER OPERAÇÕES EM MOÇAMBIQUE A PARTIR DE MARÇO DE 2026


 A Mozal S.A. confirmou, esta terça-feira (16), que irá suspender as operações na sua fundição de alumínio em Moçambique a partir do dia 15 de Março de 2026. A decisão foi tornada pública através de um comunicado de imprensa enviado à nossa redacção.


De acordo com a empresa, a suspensão das actividades resulta de um conjunto de factores operacionais e económicos que afectam a viabilidade da unidade industrial no actual contexto, incluindo o aumento persistente dos custos de produção, constrangimentos no fornecimento de energia e matérias-primas, bem como a volatilidade do mercado internacional do alumínio.


No comunicado, a Mozal esclarece que a decisão não é imediata e que até à data prevista continuará a operar normalmente, cumprindo os compromissos assumidos com trabalhadores, fornecedores, clientes e o Estado moçambicano. A empresa garante ainda que irá trabalhar de forma coordenada com o Governo e outras partes interessadas para gerir o processo de suspensão de forma responsável e ordeira.


A Mozal, localizada no distrito de Boane, província de Maputo, é considerada uma das maiores unidades industriais do país e um dos principais projectos de investimento estrangeiro directo desde o início da sua operação, no ano 2000. A fundição de alumínio tem sido um pilar das exportações nacionais, contribuindo de forma significativa para o Produto Interno Bruto e para a balança comercial.


Embora o comunicado não avance números concretos, fontes ligadas ao sector admitem que a suspensão das operações poderá ter impactos relevantes no emprego directo e indirecto, bem como nas empresas nacionais que integram a cadeia de fornecimento da Mozal. Actualmente, milhares de postos de trabalho dependem, directa ou indirectamente, da actividade da fundição.


O Governo moçambicano ainda não se pronunciou oficialmente sobre o anúncio, mas fontes institucionais indicam que o Executivo deverá, nos próximos dias, avaliar as implicações económicas e sociais da decisão, incluindo eventuais medidas de mitigação para proteger os trabalhadores e salvaguardar a estabilidade económica da região.


A Mozal reafirma, por sua vez, o compromisso com Moçambique, sublinhando que a suspensão não significa, necessariamente, o encerramento definitivo da unidade, deixando em aberto a possibilidade de retoma das operações caso as condições se tornem favoráveis no futuro.


Para já, o anúncio lança um sinal de alerta sobre os desafios estruturais da indústria pesada no país e reacende o debate sobre a necessidade de garantir energia competitiva, infra-estruturas eficientes e um ambiente de negócios previsível, capaz de reter e sustentar grandes investimentos industriais em Moçambique.

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