A forte corrente de água que se faz sentir no rio Nguluzane continua a comprometer o avanço das obras de emergência destinadas à reposição da transitabilidade na Estrada Nacional Número Um (N1), no troço localizado nas imediações da ponte sobre aquele curso fluvial, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza.
Informações facultadas pela Administração Nacional de Estradas (ANE) indicam que, até ao princípio da tarde desta terça-feira (03/02), as equipas técnicas permaneciam impossibilitadas de intervir directamente no local devido à intensidade do caudal, situação que representa riscos elevados para a segurança dos trabalhadores e para a integridade da própria infra-estrutura rodoviária.
Falando à imprensa local, o director-geral-adjunto da ANE, Miguel Coanai, explicou que, apesar da presença permanente do empreiteiro no terreno, as condições naturais ainda não permitem a execução das obras com o rigor técnico exigido.
“Não podemos trabalhar nestas condições, porque a correnteza continua muito forte, sob o risco de provocar cortes em outros pontos. Vamos aguardar que o nível das águas reduza para garantir que as obras sejam realizadas com segurança e eficácia”, referiu a fonte.
Os trabalhos em curso enquadram-se no plano de resposta rápida do Governo, através da ANE, para mitigar os impactos das cheias que recentemente afectaram vários troços da principal via rodoviária do país. A N1 constitui o eixo estruturante que assegura a ligação entre as regiões Sul, Centro e Norte, desempenhando um papel estratégico na mobilidade de pessoas e no escoamento de bens e serviços.
De acordo com dados da ANE, as chuvas intensas que se registaram nas últimas semanas provocaram erosões e cortes significativos junto à ponte do rio Nguluzane, comprometendo a estabilidade da plataforma rodoviária e obrigando à interrupção da circulação naquele ponto.
Enquanto decorrem os trabalhos de reposição da via, as autoridades rodoviárias mantêm activas rotas alternativas para garantir a continuidade da ligação entre as diferentes regiões do país. Neste momento, o tráfego rodoviário está a ser desviado para o itinerário Chissano–Chibuto–Chongoene, que posteriormente volta a estabelecer conexão com a N1.
A ANE apela aos automobilistas para observarem rigorosamente as orientações das autoridades e adoptarem medidas de precaução, tendo em conta o aumento do fluxo rodoviário nas vias alternativas, o que pode provocar congestionamentos e maior desgaste das estradas secundárias.
Entretanto, técnicos da ANE, em coordenação com autoridades locais e serviços meteorológicos, continuam a acompanhar a evolução do nível das águas e das condições hidrológicas do rio Nguluzane, com vista a determinar o momento oportuno para a retoma plena das intervenções.
Fontes ligadas ao Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) indicam que, apesar da tendência de redução gradual das precipitações em algumas regiões da província de Gaza, persistem níveis elevados de saturação dos solos e escoamento superficial, factores que contribuem para a manutenção do caudal elevado nos rios.
Transportadores e operadores económicos na região manifestam preocupação com os constrangimentos causados pela interrupção da via, sobretudo no transporte de produtos agrícolas e mercadorias diversas, situação que pode encarecer custos logísticos e atrasar o abastecimento de mercados.
As autoridades governamentais garantem, contudo, que os trabalhos de reposição da transitabilidade constituem prioridade nacional, estando mobilizados recursos humanos e materiais para acelerar o processo logo que as condições naturais permitam.
A N1 é considerada a espinha dorsal do sistema rodoviário moçambicano, sendo vital para a integração territorial e dinamização da economia nacional, razão pela qual a reposição célere e segura da circulação naquele troço é vista como fundamental para o normal funcionamento das actividades socioeconómicas do país.
