O Clube Ferroviário de Nacala anunciou ontem, no programa desportivo Clube a Clube, um compromisso estratégico que visa não apenas cumprir as recentes exigências regulamentares da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), mas também honrar o contributo de um dos seus mais dedicados quadros técnicos: Carlitos Chimomole.
Devido à nova directiva da FMF, que a partir da época de 2026 estabelece o Certificado de Treinador CAF “A” como requisito mínimo para exercer funções de treinador-adjunto no Moçambola, o Ferroviário de Nacala viu-se na obrigação de não renovar o vínculo de Chimomole como adjunto do técnico-chefe Zainadine Mulungo. As normas da confederação exigem, doravante, que todos os técnicos sejam titulados com esta certificação de alto nível, condição que o treinador ainda não possuía.
Em resposta a esta situação, o clube indicou Abneiro Ussaca como novo treinador-adjunto, profissional que reúne actualmente as habilitações académicas exigidas e que se integrará na estrutura técnica principal para a temporada 2026.
Apesar da natural alteração no quadro técnico, a direcção ferroviária decidiu ir além do simples ajuste administrativo. O presidente do Ferroviário de Nacala comprometeu-se publicamente a suportar os custos da formação de Carlitos Chimomole até à obtenção do certificado CAF “A”.
“Carlitos contribuiu de forma determinante para o desenvolvimento da equipa e para a evolução do nosso projecto desportivo. Esta decisão não é apenas justa, é estratégica — porque investir em formação é investir no futuro do futebol moçambicano”, declarou o dirigente no programa, realçando que a acção visa fortalecer o capital humano do clube e, simultaneamente, dignificar a profissão de treinador no país.
Carlitos Chimomole tem estado ligado ao Ferroviário de Nacala nos últimos anos, desempenhando um papel fulcral na estrutura técnica, particularmente ao lado de Zainadine Mulungo. A sua saída do cargo não representa um afastamento do futebol nem um retrocesso na carreira, mas antes uma transição forçada pelas novas exigências federativas.
A formação CAF “A” — considerada de alto rendimento no contexto africano — prepara os treinadores para lidar com desafios tácticos e estratégicos no futebol profissional, habilitando-os a assumir funções de maior responsabilidade em clubes e federações. A iniciativa do Ferroviário coloca Carlitos numa posição vantajosa para regressar, com qualificação plena, ao comando técnico de qualquer equipa no Moçambola ou mesmo num contexto internacional.
Esta postura do Ferroviário de Nacala é vista por analistas desportivos e agentes ligados ao futebol como um exemplo de responsabilidade institucional. Ao investir na formação de técnicos nacionais, o clube não só cumpre as normas federativas como também contribui para o fortalecimento sustentável do quadro técnico do futebol moçambicano.
A medida foi bem recebida por adeptos e antigos colegas de trabalho de Chimomole, que destacaram o gesto como “um sinal claro de respeito e visão de longo prazo”.
O presidente do clube reafirmou que a intenção não é apenas cumprir uma obrigação regulamentar, mas fomentar uma cultura de valorização da formação e profissionalização dentro das equipas moçambicanas.
Com o campeonato a aproximar-se, o Ferroviário de Nacala prepara-se para a temporada de 2026 com um quadro técnico robusto e uma direcção que, mais uma vez, demonstra que o desenvolvimento humano acompanhando a evolução desportiva é um pilar inegociável do seu projecto.
