O arranque do ano lectivo de 2026 na Escola Secundária Graça Machel, localizada no bairro de Magoanine, na Cidade de Maputo, está seriamente comprometido devido à persistência de inundações no recinto escolar e à permanência de dezenas de famílias deslocadas, acolhidas no local desde 2023.
De acordo com informações apuradas junto de fontes da TV Miramar e confirmadas por membros da direcção da escola, as águas estagnadas no pátio e nas zonas circundantes resultam de problemas crónicos de drenagem, agravados pelas chuvas intensas registadas em Janeiro último. A situação transformou parte da escola num centro improvisado de acolhimento, numa altura em que se esperava um regresso pleno às aulas presenciais.
Com o início oficial das actividades lectivas, alunos e professores vêem-se obrigados a partilhar o espaço escolar com famílias desalojadas, o que levanta preocupações sérias quanto à segurança, higiene e ambiente pedagógico. A direcção da escola reconhece o drama social vivido pelas famílias afectadas, mas admite que o ruído constante, a circulação descontrolada no pátio e a falta de separação clara entre os espaços lectivos e residenciais podem comprometer o normal funcionamento das aulas e o aproveitamento escolar dos estudantes.
“Estamos a falar de uma escola, não de um centro de acomodação permanente. A convivência, nestas condições, não é saudável nem para os alunos nem para as famílias”, referiu uma fonte da direcção, que pediu reserva de identidade.
Algumas das famílias acolhidas afirmam viver no recinto escolar há quase três anos, sem uma solução definitiva por parte das autoridades. Recentemente, o local recebeu a visita da Primeira-Dama, Gueta Chapo, gesto que reacendeu expectativas de um reassentamento célere. No entanto, até ao momento, nenhuma alternativa concreta foi apresentada.
Os afectados dizem-se exaustos. Alegam falta de privacidade, condições sanitárias precárias e uma convivência cada vez mais tensa com a comunidade escolar. “Ninguém quer atrapalhar as aulas, mas também não podemos continuar a viver assim. Precisamos de uma solução urgente”, disse um dos chefes de agregado familiar.
Enquanto isso, pais e encarregados de educação manifestam inquietação quanto à segurança dos seus filhos e à qualidade do ensino num contexto claramente adverso. Especialistas em educação ouvidos pela nossa reportagem alertam que a situação, se não for resolvida a curto prazo, poderá ter impactos duradouros no rendimento escolar e no bem-estar psicológico dos alunos.
O caso da Escola Secundária Graça Machel volta a expor uma realidade conhecida: quando a resposta institucional falha, a escola acaba por carregar problemas que não são seus. As aulas até podem arrancar, mas, nestas condições, arrancam tortas. E quem paga a factura, como quase sempre, são os alunos.
