A população residente no bairro de Boquisso, no Município da Matola, voltou a manifestar preocupação face às inundações recorrentes que, desde 2023, vêm condicionando a vida das famílias e deteriorando as condições de habitabilidade naquela parcela urbana. Com as chuvas registadas nas últimas semanas, a situação agravou-se consideravelmente, levando os moradores a exigir das autoridades municipais a abertura urgente de valas de drenagem para o escoamento das águas pluviais.
Segundo relatos recolhidos junto dos residentes, várias ruas e quintais continuam submersos, enquanto inúmeras habitações apresentam infiltrações severas, colocando em risco a segurança das famílias e dos seus bens. Em alguns pontos do bairro, as águas permanecem estagnadas há várias semanas, criando um ambiente propício para a proliferação de mosquitos e aumentando o risco de doenças de origem hídrica, como a malária e as diarreias.
Moradores ouvidos no local afirmam que o problema resulta, sobretudo, da inexistência de um sistema eficaz de drenagem, aliado ao crescimento desordenado do bairro e ao assoreamento das poucas linhas naturais de escoamento existentes. “Quando chove forte, a água não tem para onde sair. Fica acumulada nas ruas e acaba por entrar nas casas. Já estamos cansados desta situação que se repete todos os anos”, relatou um residente que vive na zona há mais de duas décadas.
Outro morador explicou que, para além dos prejuízos materiais, as inundações comprometem a mobilidade e o acesso a serviços básicos. Crianças enfrentam dificuldades para frequentar a escola, enquanto comerciantes locais registam perdas significativas devido à redução do movimento e à destruição de mercadorias.
Perante este cenário, a comunidade tem defendido que o reassentamento não constitui, neste momento, uma solução prática nem sustentável. Os residentes argumentam que muitas famílias investiram poupanças de vários anos na construção das suas residências e na consolidação de pequenos negócios locais, razão pela qual abandonar o bairro significaria recomeçar praticamente do zero.
Os moradores defendem, em alternativa, a implementação de soluções técnicas estruturais, com destaque para a abertura e manutenção de valas de drenagem, requalificação das vias de acesso e melhoria do planeamento urbano. Para a população, tais intervenções permitiriam garantir o escoamento adequado das águas e preservar o bairro como espaço habitacional seguro.
Contactadas por moradores através de canais comunitários, algumas estruturas locais reconhecem a existência do problema e apontam para a necessidade de estudos técnicos que orientem intervenções duradouras. Especialistas em ordenamento territorial sublinham que a expansão urbana acelerada, sem infraestruturas adequadas de drenagem, tem sido um dos principais factores que contribuem para o agravamento das inundações em várias zonas periféricas da Matola.
Entretanto, líderes comunitários apelam a uma actuação célere das autoridades municipais, alertando que a persistência das inundações poderá levar ao abandono gradual do bairro, com impactos sociais e económicos significativos para centenas de famílias.
Enquanto aguardam por soluções concretas, muitos residentes continuam a adoptar medidas improvisadas para tentar conter a água, como a abertura manual de pequenos canais e o uso de sacos de areia, acções que, segundo afirmam, apenas minimizam temporariamente o problema.
A população de Boquisso espera agora que as autoridades competentes priorizem intervenções estruturais, capazes de assegurar condições dignas de habitação e evitar que o bairro enfrente um colapso progressivo devido às inundações cíclicas.
