O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve, recentemente, no distrito de Sussundenga, província de Manica, um cidadão de nacionalidade zimbabweana, suspeito de envolvimento em actos de vandalização e roubo de componentes de linhas de transporte de energia eléctrica de alta tensão.
De acordo com informações recolhidas por órgãos de comunicação social nacionais, o indivíduo foi surpreendido na posse de diverso material eléctrico alegadamente retirado de infra-estruturas pertencentes à Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB). Após a sua intercepção, o suspeito terá confessado a prática do crime, alegando que os materiais seriam aproveitados como matéria-prima para a produção artesanal de utensílios domésticos, nomeadamente panelas, destinadas à comercialização no mercado informal.
Fontes ligadas ao sector energético têm reiterado que a vandalização e o roubo de componentes eléctricos representam uma ameaça séria à estabilidade do fornecimento de energia no País. Dados institucionais indicam que o furto e a destruição de equipamentos eléctricos alimentam um mercado clandestino de sucata e integram, em muitos casos, redes criminosas com ramificações transfronteiriças, afectando vários países da África Austral.
As autoridades têm sublinhado que tais práticas provocam perdas financeiras avultadas, além de comprometerem a segurança do sistema eléctrico nacional e a qualidade do fornecimento de energia às populações e ao sector produtivo.
A Hidroeléctrica de Cahora Bassa constitui uma das principais infra-estruturas energéticas de Moçambique, responsável pela produção de grande parte da electricidade consumida no País e exportada para Estados vizinhos. Criada em 1975, a empresa opera a barragem localizada na província de Tete, cuja capacidade instalada ultrapassa dois mil megawatts, desempenhando um papel determinante no desenvolvimento económico nacional e regional.
As linhas de transporte de energia provenientes da barragem percorrem extensas zonas do território nacional e interligam Moçambique a sistemas eléctricos de países vizinhos, factor que torna a sua protecção uma questão de interesse estratégico.
Contactadas, fontes policiais confirmaram que o detido deverá responder judicialmente pelos crimes de sabotagem e roubo de bens públicos, podendo enfrentar penas agravadas caso se confirme o envolvimento em redes organizadas de vandalização de infra-estruturas.
O SERNIC reiterou o apelo à população para denunciar actividades suspeitas que possam colocar em risco o sistema eléctrico nacional, destacando que a colaboração comunitária é fundamental no combate a este tipo de criminalidade.
Entretanto, decorrem diligências investigativas adicionais com vista a apurar a eventual existência de outros envolvidos no esquema, bem como a dimensão dos prejuízos causados pelas acções ilícitas.
