ADOLESCENTE DE 17 ANOS TIRA A PRÓPRIA VIDA EM QUELIMANE


 Uma adolescente de 17 anos perdeu a vida na noite da última quinta-feira no bairro Manhaua, arredores da cidade de Quelimane, província da Zambézia, após ingerir uma substância tóxica conhecida localmente por ratex, um veneno habitualmente utilizado para eliminação de ratos.


Informações recolhidas junto de moradores da zona e de fontes ligadas às autoridades locais indicam que a jovem terá ingerido o produto no interior da residência onde vivia com familiares. Pouco tempo depois de consumir a substância, começou a apresentar sinais de intoxicação grave, tendo sido socorrida por pessoas próximas. No entanto, quando tentaram levá-la a uma unidade sanitária, já se encontrava em estado crítico e acabou por não resistir.


Fontes comunitárias ouvidas pela nossa reportagem referem que o caso poderá estar relacionado com conflitos de natureza sentimental. Segundo relatos de vizinhos e colegas, a adolescente mantinha um relacionamento amoroso com um homem adulto, situação que teria gerado desentendimentos com a esposa deste. Alegadamente, a jovem vinha sendo alvo de humilhações e confrontos frequentes protagonizados pela suposta rival.


Moradores afirmam ainda que a adolescente apresentava sinais de forte abalo emocional nas últimas semanas. Pessoas próximas indicam que esta não terá sido a primeira vez que a jovem manifestou comportamentos de desespero. Em ocasião anterior, chegou a abandonar temporariamente a casa dos familiares em consequência do mesmo conflito. Na altura, terá sido encontrada na posse do mesmo tipo de veneno, mas acabou por desistir da intenção após conversas e aconselhamento de conhecidos.


A vítima frequentava a 12ª classe na Escola Secundária Aeroporto Expansão, na cidade de Quelimane. Colegas descrevem-na como uma estudante reservada, mas participativa nas actividades escolares. A direcção da escola confirmou o falecimento e manifestou consternação pelo sucedido, sublinhando tratar-se de uma perda dolorosa para a comunidade escolar.


Os restos mortais da adolescente foram sepultados na sexta-feira, num dos cemitérios da cidade de Quelimane, em cerimónia marcada por forte emoção entre familiares, colegas e moradores do bairro.


Entretanto, fontes ligadas à Polícia da República de Moçambique (PRM) na Zambézia confirmaram a ocorrência e indicaram que o caso foi registado como morte por ingestão de substância tóxica. As autoridades referem que continuam a recolher informações para esclarecer todas as circunstâncias do sucedido.


Especialistas em psicologia social e activistas ligados à protecção da criança e do adolescente consideram que o caso volta a expor a vulnerabilidade emocional de muitos jovens, sobretudo quando enfrentam conflitos afectivos, pressão social e ausência de acompanhamento adequado.


Organizações da sociedade civil que trabalham com juventude na província da Zambézia defendem o reforço de programas de aconselhamento psicológico nas escolas e nas comunidades, alertando que muitos adolescentes enfrentam problemas emocionais em silêncio, sem acesso a apoio especializado.


O episódio reacende o debate sobre a importância do diálogo entre pais, educadores e jovens, bem como a necessidade de criar espaços seguros de escuta e orientação para adolescentes que atravessam momentos de fragilidade emocional.

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