Empresário Abdul Gafar Gulamo já em Maputo após extradição de Portugal


 OPERAÇÃO STOP BC: Empresário Abdul Gafar Gulamo já em Maputo após extradição de Portugal


O empresário moçambicano Abdul Gafar Gulamo já se encontra em Maputo, após ter sido extraditado de Portugal, onde esteve detido desde Dezembro de 2025, no âmbito de um processo ligado à chamada Operação Stop Branqueamento de Capitais (BC), conduzida pelo Ministério Público.


Segundo informações recolhidas junto de fontes judiciais e reportes de órgãos de comunicação social nacionais e internacionais, o arguido desembarcou na manhã desta quarta-feira no Aeroporto Internacional de Mavalane, sob custódia das autoridades, devendo ser presente ao Tribunal Judicial nas próximas horas para o primeiro interrogatório judicial.


Gulamo é indiciado pelos crimes de branqueamento de capitais, associação criminosa, falsificação de documentos, abuso de confiança e outros ilícitos conexos, num processo que envolve cerca de 40 arguidos, entre cidadãos nacionais e estrangeiros, bem como várias empresas. 

Histórico do caso: um esquema milionário e transnacional

As investigações indicam que o caso remonta ao período compreendido entre 2008 e 2023, tendo ganho maior expressão entre 2019 e 2023, altura em que o arguido, na qualidade de gestor empresarial, terá liderado um esquema sofisticado de movimentação ilícita de capitais. 


De acordo com a Polícia Judiciária portuguesa e autoridades moçambicanas:

Foram transferidos cerca de 140 milhões de dólares norte-americanos para diversos países, incluindo Ilhas Maurícias, Emirados Árabes Unidos, China, Japão e Portugal; 

As transferências eram justificadas com base em importações fictícias de mercadorias, que nunca chegaram a ser desalfandegadas em território nacional; 

Para sustentar o esquema, foram utilizados documentos falsificados de desalfandegamento, enviados a instituições bancárias; 

Parte dos fundos teria origem em circuitos ligados ao tráfico de droga e outras actividades ilícitas, envolvendo familiares e colaboradores do arguido; 


As autoridades referem ainda que as empresas envolvidas eram usadas como fachada para ocultar e dissimular a origem ilícita dos fundos, caracterizando um esquema típico de criminalidade organizada e transnacional.


Operação Stop BC: dimensão do processo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o processo integra:

Mais de 40 arguidos;

Cerca de 15 empresas envolvidas;

Movimentações financeiras ilegais superiores a 330 milhões de dólares (aproximadamente 21 mil milhões de meticais). 


Os crimes investigados incluem, para além do branqueamento de capitais:

Fraude fiscal e abuso de confiança fiscal;

Uso de documentos falsos;

Associação criminosa organizada. 


Trata-se de uma das maiores operações contra crimes económicos em Moçambique nos últimos anos, envolvendo redes com ramificações internacionais.


Abdul Gafar Gulamo foi localizado e detido na região de Lisboa, onde residia desde 2024, após um trabalho considerado “persistente” de recolha de informação pelas autoridades portuguesas. 


Após a detenção:

Foi presente ao Tribunal da Relação de Lisboa;

Ficou em prisão preventiva enquanto decorria o processo de extradição;

Permaneceu sob custódia durante vários meses até à sua entrega às autoridades moçambicanas. 


Já em território nacional, o arguido deverá ser submetido ao primeiro interrogatório judicial, onde serão definidas as medidas de coacção a aplicar, podendo incluir prisão preventiva.


Fontes ligadas ao processo indicam que, em caso de condenação, as penas poderão atingir até 16 anos de prisão, tendo em conta a gravidade e complexidade dos crimes imputados. 


A Operação Stop BC volta a expor, sem rodeios, as fragilidades no controlo financeiro, fiscalização aduaneira e combate ao crime económico organizado em Moçambique.


Não há romance aqui: estamos diante de redes bem estruturadas, com capacidade de movimentar milhões, manipular documentos e infiltrar-se em circuitos formais da economia.

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