Jovens deputados poderão aprender Mandarim em parceria com Instituto Confúcio da UEM


O Gabinete da Juventude Parlamentar (GJP) da Assembleia da República iniciou contactos formais com o Instituto Confúcio da Universidade Eduardo Mondlane, com vista à formação de jovens deputados em Mandarim, numa iniciativa que pretende reforçar as competências linguísticas e diplomáticas dos parlamentares em início de mandato.


O encontro teve lugar esta quarta-feira (04/03), na sede da Assembleia da República de Moçambique, em Maputo, e serviu para delinear os primeiros passos de uma cooperação institucional orientada para a capacitação académica e cultural dos membros do GJP.


Segundo o Presidente do GJP, Inocêncio Fani, a aposta na aprendizagem do Mandarim enquadra-se numa estratégia mais ampla de preparação dos jovens deputados para os desafios da diplomacia parlamentar contemporânea. “Vivemos num mundo interligado. Dominar línguas estrangeiras é uma ferramenta essencial para fortalecer a cooperação internacional e ampliar os canais de diálogo”, afirmou.


Fani sublinhou que o Mandarim se destaca como uma das línguas mais faladas a nível global, assumindo crescente relevância nas esferas económica, política e cultural. Para o dirigente juvenil, a formação permitirá melhorar a interacção com representantes de outros parlamentos, sobretudo de países asiáticos, além de facilitar o acompanhamento de dossiers ligados à cooperação bilateral.


Nos próximos dias, uma delegação do GJP deverá deslocar-se às instalações do Instituto Confúcio, sediado na Universidade Eduardo Mondlane, para avaliar as condições logísticas e pedagógicas disponíveis, bem como definir o modelo de implementação do curso, incluindo carga horária, níveis de proficiência e eventual certificação internacional.


Por sua vez, o Director do Instituto Confúcio da parte chinesa, Jichao Liu, manifestou total abertura para acolher os jovens parlamentares. Destacou que o Mandarim tem registado expansão significativa em várias regiões do mundo, acompanhando a intensificação das relações económicas e comerciais da China com diversos países africanos, incluindo Moçambique.


De acordo com dados tornados públicos por instituições governamentais e empresariais, a presença de investimentos chineses no território nacional tem vindo a crescer, sobretudo nos sectores de infra-estruturas, energia, construção civil e indústria extractiva. Muitos desses projectos empregam mão-de-obra moçambicana, cenário que, segundo analistas, exige maior capacidade de comunicação intercultural.


Especialistas em relações internacionais ouvidos por órgãos de informação locais consideram que a formação linguística de deputados jovens pode representar um passo estratégico na consolidação da diplomacia parlamentar moçambicana. “Não se trata apenas de aprender uma língua, mas de compreender códigos culturais, modos de negociação e dinâmicas próprias de um parceiro estratégico”, referem.


A iniciativa surge num contexto em que a cooperação entre Moçambique e a China tem sido reiteradamente reafirmada ao mais alto nível político, com intercâmbios frequentes nas áreas de formação técnica, bolsas de estudo e assistência institucional.


Se for concretizada, a formação em Mandarim poderá abrir portas a programas de intercâmbio, visitas oficiais e participação mais activa dos jovens deputados em fóruns internacionais, reforçando o papel do Parlamento como actor relevante na diplomacia do Estado.

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