RUANDA ADMITE RETIRAR TROPAS DE MOÇAMBIQUE COM APROXIMAÇÃO DO FIM DO APOIO FINANCEIRO DA UNIÃO EUROPEIA
As autoridades do Rwanda admitem a possibilidade de retirar o contingente militar destacado em Moçambique, numa altura em que se aproxima o término do apoio financeiro concedido pela União Europeia à operação de combate ao terrorismo na província de Cabo Delgado.
O contingente ruandês foi destacado para o norte de Moçambique em 2021, numa altura em que a insurgência armada intensificava ataques contra populações civis e infra-estruturas estratégicas. Desde então, as forças daquele país têm desempenhado um papel central nas operações de estabilização e recuperação de territórios anteriormente ocupados por grupos insurgentes.
A eventual retirada das tropas ruandesas levanta preocupações entre analistas de segurança, tendo em conta as limitações estruturais das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM).
De acordo com dados divulgados por plataformas especializadas em defesa, como a DefenceWeb, as FADM contam actualmente com um efectivo estimado entre 12 mil e 15 mil militares activos. Este número inclui efectivos das forças terrestres, da marinha de guerra e da força aérea.
Comparativamente com outros países africanos, Moçambique possui um contingente militar relativamente reduzido. Estados como África do Sul, Angola, Nigéria e Egipto dispõem de forças armadas significativamente maiores, com maior capacidade logística, melhor equipamento e maiores investimentos em formação e modernização militar.
Apesar dessas limitações, Moçambique tem beneficiado, nos últimos anos, de programas de cooperação internacional destinados ao reforço da capacidade operacional das suas forças armadas. Países como Portugal e missões ligadas à União Europeia têm apoiado na formação de oficiais, treino especializado e capacitação técnica das tropas moçambicanas.
Um dos exemplos dessa cooperação é a missão de treino militar da União Europeia em Moçambique, que tem como objectivo melhorar a preparação das forças nacionais para enfrentar ameaças de segurança, particularmente na região norte do país.
Os desafios de defesa tornam-se ainda mais complexos quando se considera a dimensão territorial do país. Moçambique possui cerca de 800 mil quilómetros quadrados de extensão, o que exige uma estrutura militar robusta para garantir vigilância e capacidade de resposta em todo o território.
A situação é agravada pela extensa linha costeira moçambicana, que ultrapassa os 2.400 quilómetros ao longo do Oceano Índico. Esta realidade exige uma presença naval significativa para garantir o patrulhamento marítimo, a segurança das rotas comerciais e a protecção dos recursos naturais.
Segundo dados internacionais constantes do relatório militar do Central Intelligence Agency, através da publicação The World Factbook, Moçambique investe cerca de dois por cento do seu Produto Interno Bruto (PIB) no sector da defesa.
Especialistas consideram este nível de investimento relativamente modesto face à dimensão do território nacional e aos desafios de segurança que o país enfrenta, incluindo o combate ao terrorismo, o controlo das fronteiras e a protecção da extensa costa marítima.
Com recursos financeiros limitados e equipamentos muitas vezes considerados obsoletos, as forças armadas moçambicanas enfrentam dificuldades para modernizar o seu arsenal, ampliar o efectivo e reforçar a capacidade operacional em todo o território.
Neste contexto, a possível retirada do contingente do Rwanda poderá representar um novo teste para a capacidade das Forças Armadas de Defesa de Moçambique em manter a estabilidade e consolidar os avanços alcançados no combate aos grupos insurgentes que actuam em Cabo Delgado.
