O valor do Fundo Soberano de Moçambique (FSM) registou um crescimento de 6,5% nos primeiros três meses desde o início da sua operacionalização, atingindo cerca de 117 milhões de dólares norte-americanos, segundo dados divulgados pelo Banco de Moçambique (BM).
A evolução positiva resulta das primeiras transferências de receitas provenientes da exploração de gás natural e da valorização dos activos financeiros onde os recursos começaram a ser aplicados no mercado internacional.
O fundo iniciou formalmente a sua trajectória a 10 de Dezembro de 2025, quando o Governo depositou no Banco de Moçambique 109,97 milhões de dólares, montante proveniente das primeiras receitas geradas pelo sector do gás natural.
Posteriormente, a 6 de Janeiro de 2026, foi realizada uma nova transferência no valor de aproximadamente 6,16 milhões de dólares, reforçando a capitalização do mecanismo financeiro.
De acordo com os dados mais recentes do banco central, até 2 de Março de 2026 o valor de mercado do fundo situava-se em cerca de 117 milhões de dólares, representando um aumento de 6,5% desde o início da gestão operacional.
O Fundo Soberano de Moçambique foi criado com o objectivo de gerir de forma estratégica as receitas provenientes da exploração de recursos naturais, particularmente do gás natural da bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado.
A lei que instituiu o fundo determina que 40% das receitas anuais provenientes da exploração de gás sejam canalizadas para este mecanismo de poupança nacional, enquanto os restantes 60% são destinados ao financiamento do Orçamento do Estado.
O Banco de Moçambique, responsável pela gestão operacional do FSM, explica que o fundo funciona como uma carteira de activos financeiros, aplicada no mercado financeiro internacional com o propósito de preservar e aumentar o valor do capital ao longo do tempo.
Para além de acumular riqueza para as futuras gerações, o mecanismo foi concebido também como instrumento de estabilização macroeconómica, permitindo ao Estado lidar com eventuais oscilações nas receitas provenientes do sector energético.
As projecções indicam que, com a expansão da indústria do gás natural no país, as receitas associadas ao sector poderão alcançar cerca de seis mil milhões de dólares por ano a partir da década de 2040, reforçando significativamente o potencial financeiro do fundo soberano.
Especialistas apontam que o desempenho inicial do FSM representa um primeiro passo na consolidação de um mecanismo considerado crucial para transformar as receitas dos recursos naturais em poupança estratégica e investimento de longo prazo, capaz de apoiar o desenvolvimento económico e social de Moçambique.
