O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve um moto-taxista no distrito de Gondola, província de Manica, por alegado envolvimento no transporte ilegal de duas pontas de marfim, num caso que volta a expor os desafios do combate ao tráfico de produtos provenientes da fauna bravia em Moçambique.
A detenção ocorreu durante uma operação conduzida pelas autoridades, após informações que apontavam para uma tentativa de comercialização de marfim na região. Segundo o SERNIC, as duas pontas de marfim estavam a ser transportadas para um ponto de encontro onde um suposto comprador aguardava numa viatura para concluir a transacção.
O caso ganhou contornos particulares quando o principal suspeito, um moto-taxista de profissão, negou qualquer participação na actividade criminosa. Em declarações prestadas às autoridades, o homem alegou que apenas realizava o seu trabalho diário de transporte de passageiros e que desconhecia a natureza ilícita da carga transportada.
Apesar da versão apresentada pelo detido, os investigadores consideram existirem elementos suficientes para aprofundar as averiguações e apurar o grau de envolvimento de cada interveniente na cadeia de tráfico.
De acordo com o porta-voz do SERNIC em Manica, Paulo Candeeiro, as investigações preliminares indicam que as pontas de marfim tiveram origem no distrito de Gorongosa, na província de Sofala, uma região próxima de importantes áreas de conservação e frequentemente associada a ocorrências de caça furtiva.
A apreensão representa mais um golpe contra redes que se dedicam ao comércio ilegal de produtos da fauna bravia, actividade que continua a ameaçar espécies protegidas, particularmente os elefantes africanos, cuja população enfrenta pressão constante devido à procura internacional de marfim.
Enquanto o moto-taxista permanece sob custódia à espera dos trâmites judiciais, equipas do SERNIC prosseguem com diligências destinadas a localizar outros membros do alegado grupo criminoso, incluindo os indivíduos que teriam organizado a entrega e eventual compra do marfim.
Especialistas em conservação da biodiversidade defendem que o combate ao tráfico de marfim exige uma abordagem integrada, envolvendo autoridades policiais, comunidades locais e entidades de gestão ambiental. Alertam igualmente que o comércio ilegal de partes de animais selvagens não só coloca em risco espécies emblemáticas do país, como também alimenta redes de criminalidade organizada com ramificações nacionais e transfronteiriças.
O caso de Gondola surge num contexto em que Moçambique tem vindo a reforçar mecanismos de fiscalização e protecção da vida selvagem, procurando travar a exploração ilegal dos seus recursos naturais e cumprir compromissos internacionais de conservação da biodiversidade.
As autoridades garantem que as investigações continuam em curso e não descartam novas detenções nos próximos dias, à medida que se procura esclarecer toda a rota utilizada para o transporte e comercialização das pontas de marfim apreendidas.

