Nações Unidas e Noruega Exigem Ação Coordenada Contra o Feminicídio em Moçambique

A cidade de Maputo acolheu, entre os dias 16 e 17 de Setembro de 2026, o Fórum Internacional denominado “PARA ALÉM DO HOMICÍDIO, COMPREENDENDO O FEMINICÍDIO E A VIOLÊNCIA SEXISTA E DE GÉNERO”, um espaço de reflexão e consulta nacional destinado a reforçar o quadro político, social e legislativo no combate à violência contra as mulheres.

O evento contou com intervenções marcantes de representantes diplomáticos e de organizações internacionais, que apelaram ao fim da impunidade e à transformação das normas sociais masculinas.

Moline Marume: "Feminicídio é uma falha institucional"

No seu discurso de abertura, a Representante da ONU Mulheres em Moçambique, Moline Marume, enfatizou a gravidade e o caráter evitável do fenómeno.

"O feminicídio é a manifestação mais extrema e irreversível da violência contra mulheres e meninas. Nunca é um acto isolado, nem um assunto privado. É o ponto final de um contínuo de discriminação, controlo, abuso e falha institucional", declarou Moline Marume.

A representante apresentou dados estimativos da ONU Mulheres e do UNODC, indicando que cerca de 50.000 mulheres foram mortas por parceiros ou familiares em todo o mundo em 2024, representando uma média de 137 mulheres mortas por dia, com o continente africano a carregar a maior taxa deste flagelo.

Relativamente ao contexto nacional, Moline Marume sublinhou a urgência de passar das promessas à prática:

  • Da Consciencialização à Ação: "Deixe que este fórum nos ajude a passar da preocupação para a acção coordenada, dos compromissos para a implementação, e do silêncio para a responsabilização. Devemos deixar de ser apenas uma 'hashtag' nas redes sociais e agir no terreno".

  • Reforma Legislativa: A responsável reafirmou o apoio da ONU Mulheres ao Governo e ao Parlamento para assegurar que o feminicídio seja claramente reconhecido, contabilizado e punido no quadro legal moçambicano.

Evesart Oystein: O papel dos homens e a desconstrução das masculinidades tóxicas

Por sua vez, o Segundo Secretário para os Assuntos Políticos e Representante Interino da Embaixada do Reino da Noruega em Maputo, Evesart Oystein, direcionou a sua reflexão para a responsabilidade dos homens no combate à violência baseada no género.

"Falo hoje não apenas como representante da Noruega, mas também como homem. É um facto que a grande maioria da violência nas relações íntimas é cometida por homens contra mulheres. Por isso, falar de masculinidades neste espaço é também falar de prevenção, responsabilização e mudança social concreta", frisou Evesart Oystein.

O diplomata apelou à redefinição dos conceitos tradicionais de coragem e força masculina nas comunidades:

  • Repressão de Emoções: Refletiu que os homens são frequentemente ensinados a "ser duros" e a reprimir sentimentos, frisando que "aquilo que é enterrado não desaparece, acumula-se" e pode degenerar em violência.

  • Nova Definição de Coragem: "Para mim, ser corajoso e confiante tem a ver com estar confortável na nossa própria pele e em contacto com as nossas próprias emoções".

O Fórum Internacional foi promovido pela ASHA em parceria com o Governo de Moçambique, o movimento feminista e parceiros internacionais de cooperação, tais como o Reino da Noruega e o Canadá, reunindo membros do Governo, deputados da Assembleia da República, representantes do sector da justiça e líderes da sociedade civil.

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