O ano de 2026 ficará marcado na carreira de Sílvia Veloso por uma sequência pouco comum no basquetebol feminino africano.
A internacional moçambicana conquistou o campeonato nacional em Angola e, depois de regressar ao país, voltou a sagrar-se campeã nacional em Moçambique. Nos dois campeonatos, recebeu igualmente a distinção de Jogadora Mais Valiosa, MVP.
A história começou ainda no primeiro semestre do ano, quando Sílvia Veloso deixou temporariamente o Ferroviário de Maputo para representar o 1.º de Agosto de Angola. A base moçambicana juntou-se ao clube militar ao lado da compatriota Suraya Rijal, numa cedência por empréstimo do Ferroviário de Maputo.
A mudança aconteceu depois de uma fase de afirmação no basquetebol moçambicano. Ao serviço do Ferroviário de Maputo, Veloso já tinha conquistado três campeonatos nacionais consecutivos e duas distinções consecutivas de MVP da Liga Sasol, antes de voltar a ser distinguida em 2026. O seu currículo incluía ainda o título africano conquistado pelo clube em 2024.
Em Angola, a presença da moçambicana rapidamente deixou de ser apenas uma experiência internacional. Sílvia assumiu um papel importante no percurso do 1.º de Agosto na Liga Azule e ajudou a equipa a chegar à final diante do Sporting de Luanda, formação que contava igualmente com a internacional moçambicana Chanaya Pinto.
A final foi disputada à melhor de cinco jogos e chegou ao quarto encontro com o 1.º de Agosto em vantagem. No jogo decisivo, realizado a 17 de Junho, a formação militar venceu o Sporting de Luanda por 49-47, fechando a série em 3-1 e recuperando o título que lhe escapava há duas épocas.
Sílvia Veloso teve participação directa na conquista. Em 37 minutos de jogo, marcou 10 pontos, capturou sete ressaltos e fez quatro assistências, terminando com 19 pontos de valorização. A actuação valeu-lhe a distinção de MVP da Liga Angolana.
O título nacional não foi o primeiro troféu conquistado pela dupla moçambicana em Angola. Ainda em Maio, Sílvia Veloso e Suraya Rijal ajudaram o 1.º de Agosto a conquistar a Taça de Angola, depois de vencer o Sporting de Luanda por 70-65. Nesse encontro, Veloso registou um duplo-duplo, com 10 pontos e 12 ressaltos.
O regresso a casa
Depois da passagem por Angola, Sílvia Veloso regressou ao Ferroviário de Maputo para disputar a fase decisiva da Liga Nacional de Basquetebol sénior feminina, a Liga Sasol.
O Ferroviário encontrou novamente o Costa do Sol na luta pelo título. A final foi disputada à melhor de cinco jogos e terminou apenas no quinto encontro, sinal de uma disputa equilibrada entre as duas principais formações da capital.
Na partida decisiva, disputada em Setembro, o Ferroviário de Maputo venceu o Costa do Sol por 52-41 e conquistou o quarto campeonato nacional consecutivo. A equipa “locomotiva” entrou no último período com uma vantagem de cinco pontos, 36-31, antes de ampliar a diferença nos minutos finais.
No final da competição, Sílvia Veloso voltou a receber a distinção individual máxima. A base foi eleita MVP da Liga Sasol 2026, juntando o prémio ao título nacional conquistado pela sua equipa.
De Angola para Moçambique, a mesma marca
O que torna o percurso de Sílvia Veloso particularmente relevante é a sequência dos acontecimentos.
Em Angola, representou o 1.º de Agosto e terminou a competição como campeã e MVP da Liga Azule. Em Moçambique, regressou ao Ferroviário de Maputo e terminou a Liga Sasol igualmente como campeã e MVP.
Trata-se, portanto, de dois títulos nacionais conquistados em dois países diferentes no mesmo ano, acompanhados de duas distinções individuais de Jogadora Mais Valiosa.
A sequência ganha maior dimensão quando se observa o percurso recente da atleta no campeonato moçambicano. Em 2025, Veloso foi eleita, pela terceira vez consecutiva, MVP da Liga Sasol, enquanto o Ferroviário conquistava o terceiro título nacional consecutivo.
Já no início da época 2026, antes da sua saída para Angola, Sílvia também esteve entre as figuras determinantes do Ferroviário. Na Supertaça, marcou 16 pontos na vitória por 52-36 diante do Costa do Sol.
Uma carreira construída entre formação, clubes e selecção
A trajectória de Sílvia Veloso começou no Ferroviário da Beira, antes de seguir para os Estados Unidos da América, onde conciliou a formação académica com o basquetebol universitário. Representou o Seward County Community College e, posteriormente, a University of the Cumberlands.
O regresso a Moçambique marcou uma nova etapa na sua carreira. No Ferroviário de Maputo, consolidou-se como uma das principais bases do campeonato nacional e passou a acumular títulos nacionais, distinções individuais e uma conquista continental.
A nível internacional, a jogadora representa igualmente a selecção moçambicana, fazendo parte da geração de atletas que tem levado o basquetebol feminino do país para diferentes palcos africanos e internacionais.
Um ano, quatro marcas
O percurso de Sílvia Veloso em 2026 pode ser resumido em quatro conquistas principais:
Angola
- Campeã da Liga Azule pelo 1.º de Agosto;
- MVP da Liga Azule;
- Vencedora da Taça de Angola.
Moçambique
- Campeã nacional pela quarta vez consecutiva pelo Ferroviário de Maputo;
- MVP da Liga Sasol 2026.
Mais do que uma sucessão de troféus, a temporada mostra uma atleta capaz de mudar de campeonato, adaptar-se a um novo grupo e, poucos meses depois, regressar ao seu clube e voltar a assumir protagonismo numa decisão nacional.
Em Angola, Sílvia Veloso ajudou o 1.º de Agosto a recuperar o campeonato. Em Moçambique, regressou para ajudar o Ferroviário a manter a hegemonia nacional. Nos dois momentos decisivos, o reconhecimento individual acompanhou o sucesso colectivo.
Assim, 2026 coloca o nome de Sílvia Veloso numa página particular do basquetebol feminino moçambicano: campeã e MVP em Angola, campeã e MVP em Moçambique, no mesmo ano.
E, para uma jogadora cuja carreira começou no Ferroviário da Beira, passou pelo basquetebol universitário norte-americano e ganhou dimensão no Ferroviário de Maputo, o ano de 2026 representa mais um capítulo numa trajectória que continua a ultrapassar fronteiras.
