As Nações Unidas defenderam, em Maputo, o reforço dos investimentos na prevenção de desastres naturais, na governação do risco e na adaptação às mudanças climáticas, apelando aos países africanos e aos seus parceiros para transformarem os compromissos políticos em acções concretas.
A posição foi apresentada por Catherine Soucy, coordenadora residente das Nações Unidas e coordenadora humanitária em Moçambique, durante uma conferência sobre redução do risco de desastres e resiliência em África.
Na sua intervenção, Soucy afirmou que a crise climática deixou de representar uma ameaça distante, sendo já uma realidade que afecta milhões de pessoas no continente, através de ciclones, cheias e secas que provocam perdas humanas e comprometem os progressos de desenvolvimento.
A responsável destacou, contudo, que os fenómenos meteorológicos extremos não têm necessariamente de transformar-se em catástrofes, defendendo o aproveitamento da ciência, da tecnologia e do conhecimento para antecipar riscos e salvar vidas.
Como exemplo, apontou a experiência de Moçambique na resposta a eventos climáticos extremos, incluindo as cheias registadas no início de 2026, cuja resposta, segundo afirmou, demonstrou a importância dos sistemas de prevenção, da coordenação institucional, do financiamento adequado e do envolvimento das comunidades.
Para acelerar os progressos na redução do risco de desastres e cumprir os objectivos da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, a coordenadora identificou três prioridades: reforçar a governação do risco, integrar a prevenção no planeamento do desenvolvimento e mobilizar financiamento para a resiliência.
Na área da governação, defendeu maior responsabilização institucional e coordenação entre as entidades envolvidas. Quanto ao desenvolvimento, considerou necessário que os investimentos em infra-estruturas tenham em conta os riscos climáticos, de modo a evitar a construção de bens e equipamentos vulneráveis a futuras catástrofes.
Relativamente ao financiamento, Soucy sublinhou a importância dos sistemas de aviso prévio e da adaptação climática. Na sua intervenção, afirmou que cada dólar investido em avisos prévios pode permitir poupar quatro dólares em perdas evitadas, enquanto cada dólar aplicado na adaptação pode gerar retornos até dez vezes superiores.
A responsável considerou ainda que África enfrenta uma situação de injustiça climática, uma vez que o continente contribuiu relativamente pouco para a crise climática, mas suporta consequências significativas. Por isso, defendeu o acesso a financiamento justo, o alívio da dívida e o reforço do apoio internacional à adaptação.
A coordenadora reafirmou o compromisso das Nações Unidas em apoiar os países africanos na protecção de vidas e meios de subsistência, defendendo uma acção conjunta para construir comunidades mais seguras e resilientes.
A intervenção terminou com um apelo à transformação dos compromissos assumidos em medidas concretas, capazes de reduzir a vulnerabilidade das populações perante os fenómenos meteorológicos extremos.