Polana Caniço B: Militares retiram engenho explosivo encontrado durante limpeza de quintal


Moradores aplaudiram a operação de remoção do artefacto, encontrado no mesmo local onde, segundo a família, uma sobrinha perdeu a vida na explosão do paiol de Malhazine, em 2007.

Moradores do bairro Polana Caniço B, na cidade de Maputo, respiraram de alívio na tarde deste sábado, 10 de Outubro, após militares conseguirem retirar um engenho explosivo que permanecia enterrado no quintal de uma residência. O artefacto foi descoberto na sexta-feira, dia 9, quando o filho do proprietário da casa, identificado como senhor Mondlane, procedia à limpeza do espaço e tentava abrir uma cova para depositar resíduos sólidos, com a intenção de queimá-los posteriormente.

A descoberta interrompeu os trabalhos de limpeza e lançou a família e os vizinhos num clima de apreensão. Segundo os proprietários da residência, o engenho estará relacionado com a explosão do paiol de Malhazine, ocorrida a 27 de Março de 2007, e foi encontrado no mesmo local onde, de acordo com o relato familiar, uma das sobrinhas morreu durante aquela tragédia.

O que deveria ser uma simples intervenção para melhorar as condições de higiene do quintal acabou por revelar um perigo que, segundo a família, permanecia no local desde a explosão do paiol. A abertura da cova foi interrompida assim que se percebeu a presença do objecto suspeito.

A situação mobilizou as autoridades, inicialmente com a intervenção de agentes da Polícia. Posteriormente, militares assumiram os trabalhos de remoção do material bélico, numa operação prolongada que exigiu cautela para evitar possíveis consequências para a família e os residentes das imediações.

Por volta das 12h55 de sábado, os militares conseguiram retirar o engenho, com aproximadamente um metro de comprimento, segundo as informações disponíveis. A conclusão da operação foi recebida com aplausos pelos moradores, que acompanharam atentamente os trabalhos e viram na retirada do artefacto o fim de horas de incerteza.

O episódio trouxe novamente à memória dos residentes os momentos dramáticos vividos em Março de 2007, quando a explosão do paiol de Malhazine provocou mortes, feridos e danos materiais, deixando marcas profundas em várias famílias da cidade de Maputo.

A descoberta levanta também preocupações sobre a eventual permanência de outros vestígios de material bélico em áreas residenciais afectadas pela tragédia, quase duas décadas depois. Para a família Mondlane, o episódio representa o reencontro com uma memória dolorosa, mas também o alívio de ver removido um objecto potencialmente perigoso do espaço onde vive.

Apesar do desfecho da operação, o caso recorda a importância de comunicar imediatamente às autoridades a descoberta de objectos suspeitos. A população não deve tocar, deslocar ou tentar remover engenhos que possam conter material explosivo, devendo manter distância e aguardar a intervenção de equipas especializadas.

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