Transportadores e Governo divergem sobre aumento das tarifas de transporte


Operadores exigem um aumento mínimo de 16 meticais, contra os cinco meticais propostos pelo Governo, e apontam falhas no pagamento das compensações.

As negociações entre o Governo e os operadores de transportes de passageiros continuam sem consenso sobre a revisão das tarifas, na sequência de divergências em torno do valor do reajuste e do funcionamento do mecanismo de subsídios e compensações aos transportadores.

No decurso das conversações, o Governo propôs um aumento de cinco meticais por tarifa, valor rejeitado pelos operadores, que inicialmente reivindicavam um acréscimo de 20 meticais e agora defendem um reajuste mínimo de 16 meticais.

Um dos principais pontos de discórdia está relacionado com o pagamento das compensações financeiras disponibilizadas pelo Executivo para evitar que os custos operacionais fossem integralmente transferidos para os passageiros. Segundo os transportadores, os atrasos e a irregularidade dos pagamentos têm provocado prejuízos e dificultado a continuidade do modelo.


Durante as negociações, o representante dos operadores manifestou insatisfação com o sistema de compensações e defendeu a revisão directa das tarifas como alternativa aos conflitos recorrentes entre a classe e o Governo.

“A situação das compensações não ajuda ninguém, nem para vocês como Governo, toda a hora confusão com os transportadores. A melhor coisa vamos à tarifa e cada um tira dinheiro na porta”, afirmou o representante.

Perante a falta de entendimento, as partes solicitaram um período de reflexão antes de regressarem à mesa das negociações. Entretanto, segundo a informação disponibilizada, mantém-se a possibilidade de aplicação do reajuste tarifário a partir de 1 de Novembro, caso não seja alcançado um acordo.


A divergência coloca em evidência o desafio de conciliar a sustentabilidade financeira dos operadores com a capacidade dos cidadãos de suportarem os custos do transporte público, sobretudo num contexto em que as despesas de deslocação representam uma parcela importante do orçamento de muitas famílias.

Um eventual aumento das tarifas poderá agravar os encargos diários dos passageiros, com possíveis reflexos nas despesas com trabalho, educação, saúde e outras necessidades básicas. Por outro lado, os operadores defendem que os preços devem acompanhar os custos reais da actividade, incluindo combustível, manutenção e outras despesas operacionais.

A definição de uma nova tarifa dependerá, assim, do entendimento entre o Governo e os transportadores, tendo em conta tanto a viabilidade do serviço como a protecção do poder de compra dos cidadãos.

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