Associação Cultural Amigos da Mafalala (ACAM), realizou na manhã desta terça-feira, 17, na EPC do Albasine sobre o funcionamento dos Conselhos de Escola, bem como sobre a importância da participação dos pais e encarregados de educação para o sucesso do ensino e aprendizagem nas classes iniciais.
O debate contou também com a participação de professores e representantes de mãe e pai turma.
Durante o encontro, a professora Cecília, relatou que os educadores notam com profunda preocupação a falta do acompanhamento dos pais e encarregados de educação da vida escolares das crianças.
“Porque nós fazemos a nossa parte. O tempo que estamos aqui com as crianças, mas em casa não se faz sentir o efeito do acompanhamento dos pais. Uma criança abandona a escola uma semana, quando procura saber do encarregado, ele fica admirado, pois não sabia que ela não vem a escola”, disse Cecília.
A Professora acrescenta que adoptou um novo modelo de controlo das ausências, obrigando os pais a justificarem do porquê a criança não foi a escola, no mesmo dia ou no dia a seguir.
“A verdade é que há falta de acompanhamento das crianças pelos pais, se andassem todos juntos, acho que não haveria tantos problemas assim”, disse.
Cecília frisou que com a realização do debate, acredita que nos próximos dias, os pais turma poderão fazer réplica do encontro aos pais e encarregados de educação ausentes para que façam o acompanhamento dos seus educandos.
Domingos Balate, também professor da EPC do Albasine, congratula a intervenção dos pais, mas ressalva que a ausência destes na sala de aulas tem prejudicado em grande o desempenho das crianças, fazendo com que o resultado pedagógico baixe drasticamente.
“Estamos a trabalhar na sala de aulas, mas em casa não há quem dá continuidade, razão pela qual, já temos crianças na tenra idade a fumar, a beberem, a desistirem da escolaridade, reflexo directo da falta do acompanhamento dos pais e encarregados. Pedimos deste modo a entrega dos pais e encarregados de educação”, disse Balate.
Adiante, o professor disse que não se pode deixar de educar a criança e esperar-se um pode resultado, “há necessidade de mudança por parte dos pais e encarregados de educação. Se alguém coloca o milho na sementeira e não fazer a sacha, claramente que não pode esperar algo bom daquele milho”.
Uma das intervenientes no debate é mãe turma que está há um ano no cargo. No seu discurso diz gostar de fazer parte apesar de não ter muita experiência. A mesma, frisa que os pais, não tem muito tempo para dar acompanhamento dos seus filhos justificando o trabalho, afazeres domésticos, mas na tarefa de desempenha, acredita ter encontrado um meio-termo para o encontro escola e pais.
“Tivemos um caso em que as crianças não faziam o trabalho para casa, metade da turma e em quase todas as aulas e o professor não tinha coragem de dar palmadas e eu passei a interagir com as crianças e disse, eu como vossa mãe o senhor professor vai passar a vos dar umas palmadas caso não façam o TPC”, disse ela, acrescentando que de algum modo aquela chamada de atenção mudou a atitude das crianças que começaram a fazer o TPC, “não porcausa do medo de levar a palmada, mas porque não ouviram isso do professor, eu como mãe deles, porque é assim como me tratam, então, uma palavra de mãe é a iguala àquela de casa que acaba complementando a do professor”.
Alberto Inácio, também pai turma, aponta que não é fácil cumprir a tarefa.
“Tivemos se não me engano, ano passado, algumas crianças que entraram com bebida aqui na escola, não foi fácil, lutamos com isso e este ano acho está mais ou menos. Tenho acompanhado que há outras crianças que às vezes vem com drogas, por isso estamos a lutar, não é fácil”, disse Alberto.
O Pai turma, revelou que ainda há um desafio enorme no que tange ao uniforme, pois ainda existem muitas crianças sem o fardamento, cadernos, assunto que a Escola tem ajudado o quanto pode. Também, segundo conta, há crianças que ainda aparecem no recinto escolar não higienizados, mas como pai turma tenta falar com os encarregados para resolver os problemas como compra de uniforme e higienização.
Catarina Chiau facilitadora da ACAM que conduziu o debate naquele estabelecimento de ensino, referiu que a participação integral dos pais, contribui sobremaneira para o sucesso escolar das crianças, apontando que a assinatura de provas quando são entregues os pais após avaliação, contribui para que o professor veja que não está sozinho no processo de ensino e aprendizagem.
Catarina, aproveitou o momento para lembrar a comunidade de pais e encarregados de educação que deve ser vigilante para que as crianças não continuem a ser vítimas de violação sexual e abusos.
Um dos professores apontou que as crianças da 1ª e 2ª classe já escrevem e lêem perfeitamente, apontando para que os pais adiram às conversas comunitárias escolares, “para dizermos zero abusos na nossa comunidade assim como na escola e em todo o lugar, de modo que a nossa criança possa passear a vontade sem ter medo que alguma coisa em algum momento possa lhe acontecer, e isso só vai acontecer com o envolvimento dos pais e encarregados de educação, pois são maiores influenciadores dos seus filhos”.
O professor também aproveitou o momento para anunciar sobre a realização dos exames da 6ª classe, 20 a 22 de Novembro próximo.
O debate é realizado no âmbito do Projecto de Melhoramento dos resultados de aprendizagem nas Escolas Primárias de Maputo, financiadas pelo CESC através da Fundação Pestalozzi.