DISFUNÇÃO ERÉCTIL O DRAMA QUE ASSOLA ALGUNS HOMENS

 Nos dias de hoje, é comum ouvir-se no seio da sociedade termos pejorativos como, “fulano é seis e meia”, “fulano é seis segundos” “fulano não levanta”, “fulano não anda”, tudo, para caracterizar os homens que sofrem por algum problema de foro sexual.


Ter problemas de ereção de quando em vez, não é necessariamente motivo de preocupação, no entanto, quando a incapacidade de iniciar ou manter uma ereção persiste em mais da metade das tentativas, é preciso ficar atento para um possível quadro de disfunção eréctil, também conhecido por impotência sexual.


Este problema, traz uma série de consequências negativas para a vida do homem, principalmente em manter relacionamentos conjugais.


De entre os sintomas mais comuns destacam-se, problemas para obter ou manter uma ereção, desejo sexual reduzido, vida sexual insatisfatória e ejaculação precoce.


Nelson Tchamo, Medico Urologista do Hospital Central de Maputo (HCM), associa o problema a factores de ordem psicológica, orgânica e mista.


Segundo o Especialista, geralmente os factores de ordem psicológica afectam indivíduos na fase da puberdade até aos trinta anos e muitas das vezes, o problema está associado a falta de experiência na vida sexual, ansiedade e expectativa em satisfazer a parceira, stress de varia ordem, e ausência de actividade física.


Das várias causas de origem orgânica, Tchamo elenca os maus hábitos alimentares, uso excessivo de álcool, drogas e quadro de doenças crônicas como hipertensão (pressão alta), diabetes e colesterol alto incluindo o uso de alguns medicamentos, para tratar a hipertensão, obesidade e, vasos sanguíneos entupidos.


Além dos factores acima mencionados, Nelson Tchamo, destaca o cigarro, como o maior vilão do problema, ou seja, o tabaco é considerado a maior causa da disfunção eréctil.

      

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 100 milhões de homens no mundo, apresentem disfunção erétil, sendo esta a mais comum encontrada na população masculina após os 40 anos de idade.


No HCM, a prevalência não é bem conhecida, no entanto, Nelson Tchamo estima que 30 a 40% dos pacientes atendidos no serviço de urologia desta unidade hospitalar têm alguma patologia do foro sexual masculino como disfunção eréctil, ejaculação precoce, infertilidade e, baixo nível de testosterona.


Muitos destes pacientes segundo Tchamo, procuram por atendimento devido a doenças da próstata sendo a disfunção eréctil, um dos sintomas da patologia.


O grande problema é que, dificilmente os homens conversam com seus amigos, parceiras ou familiares sobre seus problemas sexuais e como resultado, muitos sofrem em silêncio, acreditando serem os únicos com esse problema. Primeiro tendem a experimentar medicamentos de venda livre, remédios tradicionais etc e, só consultam o médico, quando tudo falha e, em alguns casos, quando seus relacionamentos estão à beira de ficarem totalmente destruídos.


Sobre isso, o Médico refere que a primeira coisa a fazer é estar atento aos primeiros sintomas, vencer o preconceito e, procurar por ajuda médica o quanto cedo possível.


O nosso entrevistado, tranquiliza e sublinha que a disfunção eréctil pode ser tratada e curada ao ponto de reverter-se o quadro, voltando tudo a normalidade. Durante a consulta, explica, os pacientes são submetidos a todos os exames necessários, para determinar a principal causa do problema para posterior tratamento. “Se o problema for a diabetes, tratamo-la, se for hipertensão, tratamo-la, se for hiperplasia benigna da próstata (aumento da próstata), tratamo-la, assim sucessivamente”. Refere.


No entanto, Tchamo, não recomenda a automedicação, um hábito adoptado pela maioria dos pacientes, principalmente a camada mais jovem, devido aos riscos que pode acarretar para a saúde, chegando em alguns casos, a resultar em morte.


O especialista explica que, uma das complicações mais temíveis que a automedicação traz, é o “PRIAPISMO” que consiste numa ereção indesejada, dolorosa, anormal e persistente.


Nestes casos, o paciente é submetido a um tratamento para baixar forçosamente a erecção e em casos mais complicados, só um procedimento cirúrgico pode ajudar a reverter o quadro, resultando muitas das vezes, em lesões ao pénis irreversíveis e consequente, perda total da capacidade de desenvolver uma erecção no futuro.


Instado a se pronunciar sobre a eficácia dos chamados estimuladores sexuais provenientes da medicina tradicional, Nelson Tchamo foi mais cauteloso no comentário e chama igualmente atenção sobre o perigo que o seu uso pode trazer para a saúde uma vez que, em muitos casos, a composição, dosagem, eficácia e contraindicações destes medicamentos não têm comprovação cientifica.


E por ocasião do “Novembro Azul”, Nelson Tachamo deixa uma recomendação: “os homens devem desenvolver o hábito de consultar regularmente o medico, para saber da sua saúde pois, para além do cancro da próstata, existem tantas outras doenças que os afectam e que são fatalmente perigosas como o tumor do testículo que é mais frequente na faixa etária dos 20 aos 30 anos diferentemente do cancro da próstata que tende a acometer na maioria, homens acima dos 40 anos”. (HCM-DCI)

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