Um Tributo à Liderança de Armando Emílio Guebuza

✍️ Por Zito do Rosário Ossumane


Durante os seus dois mandatos, Armando Emílio Guebuza foi mais do que um Presidente: foi um arquitecto de projectos, um mobilizador nacional e um líder com metas claras. Com a Agenda 2025, orientou Moçambique para o desenvolvimento sustentável, ao mesmo tempo que impulsionava os Corredores de Desenvolvimento de Nacala e Maputo, criando ligações comerciais e regionais que dinamizaram a economia.

Criou o Fundo de Desenvolvimento Distrital (“os sete milhões”), levando capital às zonas mais recônditas do país, onde o Estado raramente chegava. Foi o tempo em que se construiu a ponte Maputo-Katembe, se reabilitou a N1, se modernizou o Porto da Beira, se expandiu a rede eléctrica nas zonas rurais, entre outros marcos de um estatismo produtivo que transformava a vida real das pessoas.

Enquanto muitos se contentam em inaugurar mercados ou discursar sobre a paz, Guebuza implementava acções concretas.

A sua Política de Presidência Aberta não era propaganda. Ele saía de Maputo, percorria os distritos, sentava-se com camponeses, escutava professores, ouvia as dores do povo e tomava decisões. Não se escondia atrás de relatórios manipulados, nem em comitivas confortáveis. Tocava o país real.


Hoje, infelizmente, a realidade é outra. Filipe Nyusi herdou um país em crescimento, mas preferiu concentrar poder em vez de oportunidades. Prometeu industrializar, mas pouco se viu sem escândalos ou interesses duvidosos, enquanto o Estado voltou a encolher nas zonas rurais.

Já o Presidente Daniel Chapo, apresentado como “novo sangue”, não trouxe nem histórico de entrega ao país, nem sinais de liderança transformadora. Juventude sem coragem é apenas idade. Experiência sem obra é vazio. Onde estão os projectos estruturantes que levam a sua assinatura?

Comparar Chapo ou Nyusi a Guebuza é desonesto. Guebuza acreditava no poder da produção, disciplina e planeamento. Errou, como qualquer líder, mas os seus feitos estão visíveis no solo, nas estradas, nos portos, nas escolas, nos bancos rurais e na consciência de muitos moçambicanos.

Ser presidente não é apenas ser eleito. É deixar pegadas.

Há 11 anos que Moçambique não tem um Presidente de verdade, e, infelizmente, corremos o risco de continuar assim por mais 4 anos.

Alguns dos projectos estruturantes de Guebuza (2005–2015):


✅ Ponte Maputo–Katembe

✅ Estrada Circular de Maputo

✅ Reabilitação da N1 e da Linha Férrea de Sena

✅ Modernização do Porto da Beira

✅ Corredores de Desenvolvimento de Nacala e Maputo

✅ Electrificação Rural

✅ Expansão do Aeroporto de Maputo

✅ Programa Nacional de Reabilitação de Estradas (PNRE)

✅ PROAGRI II e PEDSA para o sector agrário

✅ Agenda 2025 e PARPA II para redução da pobreza

✅ Criação de Zonas Económicas Especiais (ZEE)

✅ “Os Sete Milhões” para os distritos

✅ Programa Um Distrito, Um Banco

✅ Construção de escolas e expansão dos serviços de saúde

✅ Presidência Aberta

✅ Reformas nas FADM e Administração Pública

✅ Diplomacia Sul-Sul e cooperação com China, Índia, Brasil e Vietname.

Não podemos esquecer também do papel exemplar do Gabinete da Primeira Dama, Maria da Luz Guebuza, com a sua dedicação às mulheres e crianças, mobilizando recursos internacionais enquanto vivia dias nas comunidades locais, sem luxos, a trabalhar ao lado do povo.

Concordas ou discordas?

Este país já teve um Presidente que sabia o que era servir, planear e executar. Guebuza mostrou o que é liderança com pegada, e a nossa maior tristeza é ver a clara ruptura após a sua saída. Hoje, Moçambique está como está, porque falta-nos liderança transformadora.


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