Especialista denuncia amiguismo na nomeação de dirigentes como causa de acidentes rodoviários


Após os trágicos acidentes rodoviários que, na última semana, vitimaram mais de 30 pessoas nas províncias de Maputo e Gaza, o debate sobre as causas da sinistralidade voltou a ganhar destaque no país.

Na edição de ontem do Jornal Principal da TV Sucesso, o especialista em segurança rodoviária, Cassamo Lala, apontou a falta de prioridade atribuída ao sector como a principal origem do problema. Segundo ele, a nomeação de dirigentes por amiguismo e laços familiares, em detrimento da competência técnica, tem fragilizado a gestão da segurança nas estradas.

“Os acidentes de viação estão a tirar mais vidas do que a insurgência em Cabo Delgado, mas ainda assim não recebem a devida atenção das autoridades. Combatemos a segurança rodoviária sem base científica e sem um centro de recolha de dados que permita entender onde e como os acidentes acontecem”, disse Lala.

O especialista identificou o troço da Manhiça como um dos pontos mais críticos do país e responsabilizou os condutores pelo desrespeito dos limites de velocidade. Defendeu ainda a obrigatoriedade de cursos de condução defensiva para todos os motoristas, como forma de preparar os condutores para reagirem perante erros cometidos por outros utentes da via.

Para Lala, a solução passa por investir em formação especializada, promover a liderança técnica no sector e abandonar as práticas de nomeação baseadas em afinidades pessoais.


Entretanto, o Ministro do Interior, Paulo Chachine, deslocou-se na segunda-feira (18) à Manhiça para inteirar-se das circunstâncias do acidente ocorrido de madrugada, no qual perderam a vida 23 pessoas.

Em declarações à imprensa, o governante lamentou a tragédia e responsabilizou os postos de controlo que permitiram a circulação da viatura fora do horário autorizado.

“O decreto estabelece que os carros de transporte de passageiros devem iniciar viagens a partir das 05h00. No entanto, neste caso, a viatura passou pelos postos de controlo antes desse horário. Se a lei tivesse sido cumprida, talvez o acidente não tivesse acontecido”, afirmou Chachine.

O ministro acrescentou que a pressa dos transportadores não garante segurança.

“Correr não significa chegar. Infelizmente, esta viagem terminou de forma trágica e interrompeu os sonhos de vários adultos e crianças.”

Chachine apelou aos agentes de fiscalização para cumprirem rigorosamente a lei e assegurou que serão tomadas medidas para reforçar o controlo rodoviário, responsabilizando os que falharem no cumprimento das normas.

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