Um cenário trágico e de dor voltou a marcar as estradas nacionais. Minutos depois de ser noticiado um acidente que vitimou 23 pessoas na madrugada desta segunda-feira, 18 de Agosto, no distrito da Manhiça, o órgãos de comunicação social voltam a anunciar um novo sinistro rodoviário, ocorrido a poucos metros do primeiro local da tragédia.
O segundo acidente envolveu duas viaturas de caixa aberta e resultou na morte imediata do condutor de um dos veículos. O impacto registou-se no momento em que o administrador do distrito da Manhiça se deslocava ao local do primeiro acidente.
Face à gravidade, o próprio carro do dirigente foi usado para transportar duas vítimas feridas ao hospital mais próximo.
Com este sinistro e outro registado na província de Gaza, o número total de óbitos subiu para 35, num espaço de poucas horas, aumentando a preocupação sobre o elevado índice de acidentes de viação no país.
A TV Sucesso entrevistou o motorista do mini-bus que provocou a morte de 23 pessoas. Visivelmente emocionado, o condutor explicou que a tragédia teve origem numa cova existente na linha contínua que separa as duas faixas de rodagem.
Segundo contou, circulava de Gaza para a cidade de Maputo quando, no sentido contrário, dois autocarros seguiam em paralelo. Um deles tentou ultrapassar o outro, forçando o mini-bus a desviar-se. Nesse momento, embateu na cova, perdeu o controlo e acabou por colidir contra uma ponte.
“O impacto foi do lado dos passageiros. Consegui sair depois de partir o vidro e ainda socorri quatro vítimas”, disse o motorista, em lágrimas.
O acidente ocorreu às 04h50 da manhã. O motorista revelou ter saído de Majacaze às 02h00, justificando a viagem noturna como forma de chegar cedo a Maputo. Muitos passageiros vinham de cerimónias familiares e outros seguiam viagem para os seus postos de trabalho na capital.
No veículo viajavam 17 adultos e várias crianças. Entre as vítimas, estavam também os próprios filhos do motorista.
“Os meus filhos estavam no carro e morreram”, lamentou o condutor, sem conter a emoção.
Estes acidentes voltam a expor a vulnerabilidade das estradas nacionais, onde a combinação de más condições de via, excesso de velocidade, ultrapassagens irregulares e viagens noturnas continua a ceifar vidas.
As autoridades locais apelam à maior prudência dos automobilistas e reforçam a necessidade de intervenção urgente na manutenção das vias, para evitar que tragédias semelhantes continuem a marcar as estradas do país.




