Mozal ameaça encerrar operações em Moçambique em 2026 devido a impasse sobre tarifas de energia


A gigante industrial Mozal, uma das maiores e mais importantes fábricas de alumínio em Moçambique, anunciou que poderá encerrar as suas operações no país a partir de março de 2026, caso não seja alcançado um consenso sobre a tarifa de energia elétrica. A principal causa do impasse é a proposta do Governo de que a empresa passe a pagar pelo preço real da energia produzida pela Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), em vez de continuar a comprar energia da sul-africana Eskom, como ocorre atualmente.

No contexto das negociações em curso, o Executivo moçambicano defende uma mudança no modelo de fornecimento de eletricidade à Mozal. De acordo com o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, em declarações feitas no dia 15 de julho de 2025, o Governo pretende que a Mozal compre diretamente a energia produzida pela HCB, que é uma das maiores fontes de geração de eletricidade no país.


Atualmente, a Mozal adquire a energia através da Eskom, a fornecedora sul-africana, mas a proposta do Governo visa ajustar os preços da energia às realidades econômicas nacionais, promovendo uma maior transparência e eficiência no setor energético. Este ajuste tem como base o desejo de o Governo assegurar que as tarifas reflitam o custo real da produção de energia, o que, na visão de Moçambique, contribuiria para uma maior sustentabilidade financeira da HCB e, por consequência, para o desenvolvimento do setor energético.

No entanto, a Mozal, que representa uma significativa fonte de emprego e receita para o país, tem demonstrado receio quanto à viabilidade econômica de operar sob essas novas condições. A empresa argumenta que a mudança de fornecedor e o aumento do custo da energia poderiam comprometer a competitividade de suas operações, além de representar um aumento substancial nas suas despesas operacionais.

A tensão entre o Governo e a Mozal reflete uma questão mais ampla no país: o difícil equilíbrio entre a atração de investimentos estrangeiros e a necessidade de garantir que os recursos naturais de Moçambique beneficiem as suas comunidades e a economia nacional. A indústria de alumínio da Mozal é um dos maiores exportadores de Moçambique e a sua contribuição para a economia nacional é significativa, o que torna o desfecho desta negociação de extrema importância para o futuro da indústria no país.

A ameaça de encerramento das operações da Mozal já tem gerado preocupação entre os trabalhadores da empresa e os setores econômicos que dependem da sua atividade. Se as negociações não forem bem-sucedidas e a empresa decidir fechar as suas portas em 2026, milhares de postos de trabalho estarão em risco, além de potenciais impactos nas receitas fiscais que o Governo arrecada através da atividade da Mozal.

Até o momento, não há sinais claros de uma solução próxima, mas as negociações continuam, com a expectativa de que ambas as partes possam encontrar uma saída que permita à Mozal manter-se operacional no país e, ao mesmo tempo, garantir que o setor energético moçambicano seja financeiramente viável e sustentável a longo prazo.

Este impasse coloca também em evidência as fragilidades da política energética do país, que ainda enfrenta desafios no que toca à implementação de um modelo que possa equilibrar as necessidades das grandes indústrias com as exigências do desenvolvimento econômico e social. O Governo, por sua vez, vê na reforma do setor energético uma forma de reduzir a dependência externa e fortalecer a economia nacional, mas a questão do preço da energia ainda permanece como um dos maiores obstáculos a superar.


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