DESMOBILIZADOS DA RENAMO EM CHIMOIO QUEREM AFASTAR OSSUFO MOMADE DA LIDERANÇA


Um grupo de desmobilizados da Renamo, provenientes de todas as províncias do país, encontra-se reunido desde esta sexta-feira (26), na cidade de Chimoio, província de Manica, com o objectivo de traçar estratégias que visam afastar Ossufo Momade da liderança do maior partido da oposição em Moçambique.

Os antigos combatentes acusam o actual presidente da Renamo de “trair os ideais do partido” e de “vender-se” à Frelimo em troca de benefícios pessoais. Entre os exemplos apontados está a sua recente nomeação para o cargo de administrador não executivo da Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), decisão vista pelos desmobilizados como “prova clara de alinhamento com o partido no poder”.


Segundo fontes ligadas ao encontro, os desmobilizados consideram que a postura de Ossufo Momade fragiliza a Renamo no actual cenário político, sobretudo num momento em que o partido enfrenta desafios internos de coesão e de preparação para os próximos ciclos eleitorais.

“Ele não defende os interesses da Renamo, nem dos moçambicanos que acreditam no partido como alternativa. Está mais preocupado em garantir privilégios pessoais, em vez de lutar pelos ideais deixados pelo saudoso Afonso Dhlakama”, disse um dos participantes do encontro, que preferiu o anonimato por temer represálias.

Durante a reunião, os ex-combatentes analisam cenários possíveis para a substituição de Ossufo Momade, incluindo a convocação de um congresso extraordinário. Entre as preocupações levantadas, destaca-se o receio de que a continuidade de Momade na liderança resulte em perda de credibilidade e enfraquecimento do partido junto do eleitorado.


Recorde-se que a liderança de Ossufo Momade tem sido alvo de contestação desde a sua eleição em 2019, com várias alas internas a acusarem-no de autoritarismo, má gestão e incapacidade de manter a unidade no seio da Renamo.

Até ao fecho desta edição, não foi possível obter uma reacção oficial de Ossufo Momade nem da Comissão Política Nacional da Renamo relativamente às acusações e às movimentações dos desmobilizados em Chimoio.


A crise interna na Renamo volta, assim, a expor divisões profundas no partido, com potenciais repercussões no futuro da oposição política em Moçambique.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem