BAIXA DA CIDADE DE MAPUTO VAI GANHAR NOVA IMAGEM, MAS RUÍNAS E ESCOMBROS CONTINUAM A AMEAÇAR A SEGURANÇA PÚBLICA


Maputo, 28 de Outubro de 2025 — O Conselho Municipal de Maputo, em parceria com a MUSIARTE e a Embaixada da Itália em Moçambique, deu início às obras de requalificação da baixa da cidade, numa acção que visa devolver dignidade e beleza a uma das zonas mais emblemáticas da capital moçambicana.


A intervenção artística, que consiste na pintura de murais, insere-se no quadro das celebrações dos 138 anos de elevação de Maputo à categoria de cidade, e resulta de um intercâmbio cultural entre artistas moçambicanos e italianos. Neste momento decorre a picontagem da parede que servirá de tela principal para a criação de uma grande obra colectiva, símbolo da amizade entre os dois países e da valorização dos espaços públicos urbanos.


Segundo o Conselho Municipal, a iniciativa pretende estimular o sentimento de pertença e transformar a baixa num espaço mais atractivo, convidativo e seguro para residentes e visitantes. “Queremos devolver vida, cor e orgulho à baixa da cidade. Maputo tem história, tem cultura, e precisa de espaços que traduzam essa identidade”, afirmou um representante da edilidade.


Contudo, paralelamente à revitalização estética, persistem desafios sérios ligados à segurança e ao estado de abandono de várias infra-estruturas. Edifícios degradados, ruínas de antigas construções e escombros esquecidos continuam a servir de refúgio a malfeitores e moradores de rua, que ali se instalam e, em muitos casos, praticam assaltos e agressões contra transeuntes e comerciantes.


Populares e trabalhadores da zona denunciam que ninguém tem coragem de seguir esses indivíduos quando se refugiam nas obras inacabadas, temendo represálias. A situação agrava o clima de insegurança e contrasta com os esforços de requalificação urbana.


“Podem pintar murais, podem pôr flores, mas enquanto estas ruínas continuarem aqui, o medo vai continuar. Precisamos de limpeza, de policiamento e de coragem para remover estes abrigos de criminosos”, desabafou um vendedor informal do Mercado Central.


A edilidade reconhece o problema e promete incluir a remoção dos escombros e a recuperação de imóveis abandonados numa segunda fase do projecto de requalificação. Fontes internas do Conselho Municipal admitem que há necessidade urgente de intervenção para garantir que a nova imagem da baixa não seja apenas estética, mas também funcional e segura.


Com esta iniciativa, Maputo procura unir arte, cidadania e segurança urbana num esforço de regeneração que vai muito além das paredes pintadas. A expectativa é que a requalificação da baixa traga não só cor, mas também ordem, limpeza e segurança, devolvendo à capital o prestígio de outrora.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem