CABO DELGADO: QUATRO AGENTES DA UIR MORTOS EM EMBOSCADA


Cabo Delgado continua a ferro e fogo. Os ataques terroristas persistem, semeando luto e dor nas famílias moçambicanas.


Por volta das 10 horas de segunda-feira, 21 de Outubro de 2025, uma viatura da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia da República de Moçambique foi alvo de uma emboscada no troço Xitaxi–Chitunda, distrito de Muidumbe, quando escoltava um comboio de viaturas civis no percurso Awasse–Macomia, ao longo da Estrada Nacional N380.


De acordo com fontes policiais contactadas pela Lusa, quatro agentes da UIR perderam a vida no ataque, tendo o veículo em que seguiam sido incendiado após o confronto. As vítimas foram mortalmente atingidas e carbonizadas.


“Foi um dia muito difícil para a força em Cabo Delgado e para toda a corporação. Mataram quatro colegas e queimaram a viatura”, disse uma fonte policial, a partir de Pemba.


Apesar da violência do ataque, as viaturas civis que seguiam sob escolta não foram atingidas, embora tenham sido forçadas a parar até à chegada de reforços militares que asseguraram o resgate e controlo da zona.


“O alvo foi exclusivamente a nossa força. Os civis não foram atacados”, acrescentou a fonte.


As escoltas naquela via — uma das mais críticas da província — são operações regulares de segurança, realizadas pelas forças governamentais para garantir a circulação de pessoas e bens entre Mocímboa da Praia, Muidumbe e Macomia, regiões onde continuam a ocorrer incursões de grupos armados insurgentes.


Nas últimas semanas, a província de Cabo Delgado voltou a registar um aumento de ataques armados protagonizados por grupos insurgentes que operam de forma intermitente desde 2017.


Fontes locais relatam deslocações forçadas de populações em distritos como Macomia, Muidumbe e Nangade, na sequência de incursões e confrontos com as Forças de Defesa e Segurança (FDS).


Apesar de avanços militares e operações conjuntas com tropas do Ruanda e da Missão da SADC, a instabilidade persiste em várias zonas de mato, onde os insurgentes se reorganizam e atacam alvos estratégicos, sobretudo militares e logísticos.


O Governo reafirma o compromisso de restaurar a ordem e garantir a segurança dos cidadãos, mas a escalada recente de ataques revela que a paz em Cabo Delgado continua frágil e dependente da presença permanente das forças no terreno.

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