🇸🇿 REI DE ESWATINI VIAJA A ABU DHABI COM 16 ESPOSAS, 30 FILHOS E 100 DOMÉSTICAS


O Rei Mswati III, monarca absoluto do Reino de Eswatini, voltou a ser o centro das atenções nas redes sociais internacionais após ter aterrado, na noite de segunda-feira, em Abu Dhabi, Emirados Árabes Unidos, acompanhado por uma comitiva composta pelas suas 16 esposas, 30 filhos e cerca de 100 empregados domésticos.


A chegada do soberano foi registada em vídeo e rapidamente tornou-se viral, mostrando o monarca a ser recebido com pompa e aparato, num cenário de luxo que volta a suscitar debate sobre o contraste entre o estilo de vida da realeza e as condições de pobreza que continuam a marcar a realidade socioeconómica do país.


Mswati III, no poder desde 1986, governa Eswatini — antiga Suazilândia — como uma das últimas monarquias absolutas do mundo. No seu reinado, não existem partidos políticos legalizados, e o poder executivo, legislativo e judicial é controlado pelo próprio monarca e pelo círculo real.


Segundo informações divulgadas pela imprensa local, o objectivo da viagem não foi oficialmente comunicado, mas especula-se que esteja relacionado com compromissos diplomáticos e negociações económicas com autoridades do Golfo. No entanto, a dimensão e o custo da comitiva levantaram críticas internas e internacionais, numa altura em que o país enfrenta desafios severos como o desemprego, baixos salários, e limitações no acesso a serviços básicos de saúde e educação.


Nas redes sociais, as reacções não tardaram. Muitos internautas questionam a ostentação do monarca num país onde mais de metade da população vive abaixo da linha da pobreza. Outros apontam que o comportamento de Mswati III simboliza o distanciamento entre a elite governante e o cidadão comum.


 “É um retrato claro de como o poder absoluto corrompe a empatia. Enquanto o povo luta por pão e medicamentos, o rei viaja com um exército de luxo”, escreveu um utilizador no X (antigo Twitter).


O rei Mswati III é conhecido mundialmente pelos seus hábitos extravagantes. Ao longo dos anos, tem adquirido veículos de luxo, aviões privados e propriedades dispendiosas, ao mesmo tempo que tem sido acusado por organizações de direitos humanos de reprimir manifestações pró-democracia e de usar os recursos do Estado para sustentar o seu estilo de vida.


Apesar das críticas, o soberano mantém o apoio das estruturas tradicionais e religiosas do país, que o consideram símbolo da unidade nacional e da identidade cultural suázi.


Com uma população estimada em 1,2 milhões de habitantes, Eswatini é um dos países mais pequenos de África Austral e também um dos mais desiguais. O monarca detém controlo sobre os recursos naturais, incluindo terras e empresas estatais, e nomeia directamente o primeiro-ministro, os juízes e os principais membros do Parlamento.


A monarquia organiza anualmente a famosa cerimónia “Umhlanga” — a dança das virgens — onde jovens mulheres desfilam perante o rei, que tradicionalmente escolhe uma nova esposa durante o evento.


Nos últimos anos, manifestações estudantis e de sindicatos têm exigido reformas políticas e mais transparência na gestão dos recursos públicos, mas as forças de segurança têm reprimido com dureza qualquer tentativa de protesto.


A viagem a Abu Dhabi, com um contingente de luxo, reaviva o debate sobre o futuro da monarquia absoluta e o peso que o poder pessoal do rei exerce sobre a vida política e económica de Eswatini.

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