FALTA DE ÁGUA POTÁVEL COLOCA EM RISCO A VIDA DO POVOADO DE MULOTANA, NA PROVÍNCIA DE MAPUTO

 A escassez de água potável está a colocar em risco a sobrevivência de centenas de famílias no povoado de Mulotana, distrito de Boane, onde os residentes enfrentam, há meses, uma situação crítica de falta do precioso líquido.


Devido à inexistência de um sistema regular de abastecimento, a população tem recorrido a poços artesanais e fontes improvisadas para obter água, muitas vezes turva e imprópria para o consumo humano. Nestas condições, o risco de contrair doenças de origem hídrica é elevado, sobretudo entre crianças e idosos.


Como forma de amenizar a crise, alguns moradores construíram pequenos reservatórios de cimento destinados à recolha de água da chuva. Contudo, a fraca precipitação registada desde o ano passado tem tornado inútil este esforço, deixando os depósitos praticamente secos e agravando o sofrimento das famílias.


“Estamos a viver momentos difíceis. Às vezes passamos dois ou três dias sem encontrar água para cozinhar ou lavar. Quando conseguimos, é dos poços que também servem para os animais”, lamentou uma moradora local, em conversa com a nossa reportagem.


Face à ausência de apoio técnico e de orientação das autoridades competentes, muitos habitantes adoptam práticas empíricas para tentar purificar a água. Uma das medidas mais comuns é o uso de “soda”, substância química misturada na água com o objectivo de reduzir o cheiro e matar eventuais impurezas — procedimento que, segundo especialistas, pode representar outros riscos para a saúde.


O líquido extraído dos poços serve para todas as necessidades domésticas, incluindo o consumo directo, cozinhar, lavar roupa, tomar banho e até para dessedentar o gado. Esta partilha entre humanos e animais intensifica o perigo de contaminação e proliferação de doenças como cólera, diarreia e febre tifóide.


A população local apela às autoridades municipais e ao Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) para que sejam encontradas soluções urgentes e sustentáveis, como a reabilitação de infraestruturas hídricas e a perfuração de novos furos, de modo a garantir o fornecimento de água segura e de qualidade às comunidades.


Enquanto isso, em Mulotana, cada gota continua a ser disputada — um retrato vivo da vulnerabilidade de quem, em pleno século XXI, ainda luta diariamente por aquilo que deveria ser um direito básico: o acesso à água potável.

Enviar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem