Pânico instala-se no bairro George Dimitrov devido à presença de jacarés no pântano de Missão Roque


 Os moradores do bairro George Dimitrov, na cidade de Maputo, vivem dias marcados por medo e frustração, devido à presença recorrente de jacarés que têm invadido quintais e circulado entre as casas sempre que o pântano de Missão Roque transborda.


A situação, segundo relatos de residentes mais antigos, não é nova. Há anos existia na zona um criador de animais exóticos, incluindo répteis. Num certo período, alguns desses animais escaparam do recinto onde eram mantidos, episódio que, na altura, foi tratado como ultrapassado. Contudo, no imaginário dos moradores, nunca se apagou a suspeita de que parte desses bichos tivesse permanecido no pântano ou se reproduzido no local.


Hoje, a questão volta a ganhar força. No centro do problema está a bacia de retenção resultante de escavações com mais de duas décadas, destinada a drenar as águas pluviais provenientes de Malhazine e Magoanine. O espaço, abandonado ao tempo, transformou-se num pântano profundo e de difícil controlo.


Com cada chuva mais intensa, a água sobe, transborda e arrasta consigo os jacarés que habitam o pântano, empurrando-os para dentro das zonas residenciais. Famílias relatam avistamentos à porta de casa, animais a movimentarem-se nos quintais e rastos deixados junto às divisões exteriores.


Além dos jacarés, cobras de grande porte também são frequentemente avistadas, colocando em risco principalmente as crianças que caminham cedo para a escola. “Temos sempre aquela angústia. As crianças saem por volta das cinco e meia da manhã, ainda está escuro. Nunca sabemos o que pode aparecer no caminho”, contou uma moradora que vive à beira do pântano.


O medo tornou-se rotina. E a rotina tornou-se um pedido de socorro que, segundo os residentes, continua sem resposta. As autoridades locais já foram notificadas múltiplas vezes, mas a população afirma que as intervenções têm sido superficiais ou inexistentes.


Sem soluções práticas, os moradores adaptaram a vida ao perigo. Evitam andar de noite, reforçam cercas improvisadas e mantêm vigilância constante — convivendo com um predador que pode aplicar uma mordida de quase uma tonelada de pressão.


A comunidade exige uma intervenção estrutural e urgente: a requalificação do pântano, o controlo da espécie, a drenagem adequada e a construção de barreiras seguras que não dependam apenas da boa vontade de quem lá vive. Até lá, o bairro George Dimitrov continua a tentar sobreviver, enquanto o Missão Roque se transforma num cenário onde natureza e risco extremo se cruzam a cada época chuvosa.

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