Dois indivíduos encontram-se detidos pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), acusados de integrar o grupo responsável pelo rapto de um cidadão português, ocorrido a 7 de Outubro, na baixa da cidade de Maputo. As detenções ocorreram em Ressano Garcia, quando os suspeitos se preparavam para entregar uma viatura de marca Toyota Prado, identificada nas imagens de videovigilância como o automóvel utilizado para transportar a vítima no momento do sequestro, para a vizinha África do Sul.
De acordo com o SERNIC, após a primeira transferência, a vítima terá sido levada para outra viatura, o que indica um esquema criminoso bem organizado. Os detidos afirmaram ser serralheiros no distrito de Magude e negam qualquer envolvimento directo no crime, alegando que apenas cumpriram ordens de um familiar identificado como “tio Albino”, que os teria instruído a entregar a viatura a um homem conhecido por “Mabutinho”, residente na África do Sul. Os suspeitos acrescentaram que já haviam realizado uma entrega anterior de um outro veículo, um Nissan X-Trail, às mesmas pessoas, sempre por obediência familiar e sem qualquer compensação financeira.
As autoridades acreditam que o grupo de raptores é composto por oito elementos. Desses, seis permanecem foragidos, havendo já um mandado de busca e captura emitido contra o alegado mandante da operação. Segundo o porta-voz do SERNIC, João Adriano, as investigações estão a avançar de forma positiva, e há fortes indícios que poderão levar à localização da vítima e ao desmantelamento completo da quadrilha.
João Adriano sublinhou, contudo, que o processo de investigação é de natureza “científica” e, por isso, o SERNIC não irá “adivinhar” quando o caso estará totalmente esclarecido. “Estamos a trabalhar com base em evidências e pistas concretas. Há progressos, mas é um trabalho que exige rigor e paciência”, declarou o porta-voz à TV Miramar.
Enquanto decorrem as diligências, o SERNIC assegura que continua empenhado em garantir a libertação da vítima e em reforçar a cooperação com as autoridades sul-africanas, tendo em vista o combate ao crime organizado transfronteiriço, que continua a ameaçar a segurança pública em Moçambique e na região.
