CHIBUTO: FAMÍLIAS CONTINUAM À ESPERA DE INDEMNIZAÇÕES NOVE ANOS APÓS PERDEREM TERRAS PARA MINA DE AREIAS PESADAS


 Gaza – Mais de mil famílias clamam por justiça e intervenção do Governo após promessas não cumpridas da empresa chinesa Dingsheng Minerals.


Mais de nove anos depois de terem sido retiradas das suas terras para dar lugar ao projecto de exploração de areias pesadas no distrito de Chibuto, província de Gaza, centenas de famílias continuam sem receber as indemnizações prometidas pela empresa Dingsheng Minerals, de capitais chineses.


O projecto, anunciado com pompa em 2016 como um dos maiores investimentos na área mineira da região sul, previa não só a exploração de minerais pesados, mas também o reassentamento digno das famílias e o pagamento de compensações pelos terrenos ocupados. No entanto, segundo os residentes, nada disso se concretizou.


“Prometeram construir casas novas, pagar as machambas e criar empregos para os jovens da comunidade. Até hoje, nada. Estamos a viver de promessas e discursos”, lamentou Joaquim Massingue, representante de uma das comunidades afectadas, em declarações à imprensa local.


As famílias queixam-se de ter perdido as suas fontes de sustento, uma vez que as terras onde cultivavam foram ocupadas pelas actividades mineiras. Algumas vivem agora em áreas sem condições agrícolas, enfrentando dificuldades para garantir alimentação e renda.


“Antes tínhamos terra fértil, colhíamos milho, mapira, feijão e batata-doce. Agora, dependemos de ajuda de familiares e de biscates. As crianças já não têm o que comer, e as autoridades dizem sempre que estão a resolver, mas nunca resolvem”, contou uma moradora visivelmente revoltada.


Apesar das múltiplas reclamações apresentadas junto da administração distrital e da Direcção Provincial dos Recursos Minerais e Energia de Gaza, os camponeses afirmam que as autoridades continuam em silêncio, sem indicar qualquer horizonte temporal para a resolução do problema.


Contactadas, fontes locais afirmam que o caso foi encaminhado para o Ministério dos Recursos Minerais e Energia, que estaria a avaliar a situação. Contudo, até ao momento, não houve uma posição oficial do Governo nem da Dingsheng Minerals sobre o impasse.


Organizações da sociedade civil que acompanham o caso consideram que há uma violação clara dos direitos das comunidades locais, e pedem que o Estado cumpra o seu papel de mediador e fiscalizador.


“Não se pode permitir que empresas estrangeiras explorem recursos nacionais à custa do sofrimento do povo. O Governo deve intervir de forma firme e exigir o cumprimento das obrigações sociais e ambientais”, defendeu um activista ligado ao sector mineiro.


Enquanto isso, cresce a tensão no terreno. Algumas famílias ameaçam avançar com protestos caso não haja resposta até ao final do ano.


Em Chibuto, a esperança vai-se esgotando, e o sentimento dominante é de desconfiança e abandono. As famílias exigem apenas o que lhes foi prometido: justiça, dignidade e compensação por aquilo que perderam em nome do “progresso”.

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