A cidade de Maputo encerrou 2025 com 30 mortes atribuídas à malária, um número que representa mais do que o dobro dos óbitos registados em 2024, quando se contabilizaram 12 mortes pela doença transmitida pelo Anopheles mosquito.
Os dados foram revelados nesta quinta-feira (08/01) pela vereadora de Saúde e Ação Social, Alice de Abreu, durante um balanço conciso sobre o estado das principais doenças que afectaram a capital no ano findo.
Segundo a responsável, o número de casos diagnosticados também cresceu de forma alarmante — passando de 12.402 em 2024 para 26.929 em 2025, o que representa um incremento superior a 100%. Apesar deste aumento na incidência, a taxa de letalidade manteve-se praticamente estável, alterando-se de 0,10% para 0,11%, reflexo do maior número absoluto de casos e de mortes.
No cerne da transmissão, a vereadora destacou quatro distritos municipais como focos de maior contribuição para este quadro:
KaMavota com 14.216 casos (53%),
KaMubukwana com 3.976 casos (15%),
KaMpfumu com 3.356 casos (12%),
e Nhlamankulu com 2.513 casos (9%).
Este padrão reitera aquilo que os serviços de saúde pública vêm observando: a malária continua endémica na região sul do país e sobretudo nas áreas urbanas com dificuldades de saneamento e maior densidade populacional, onde a presença de vectores tende a ser mais persistente durante as épocas chuvosas. Dados epidemiológicos anteriores mostram que a cidade e suas zonas periféricas já vinham registando surtos desde novembro de 2024, com incidência elevada em áreas como KaMavota.
A evolução dos números em Maputo contrasta com tendências registadas noutras regiões do país, como em Nampula, onde apesar de um aumento geral de casos, o número de óbitos diminuiu no primeiro semestre de 2025 em comparação com o ano anterior.
Perante estes indicadores, autoridades sanitárias alertam para a necessidade urgente de reforçar intervenções preventivas — incluindo uso de redes mosquiteiras tratadas, fumigações selectivas e diagnóstico/treatamento precoces, conforme as directrizes internacionais para o controlo da malária.
A vereadora apelou à colaboração da comunidade e parceiros para intensificar campanhas de sensibilização e cobertura das medidas de controlo, visando reduzir a pressão da malária na capital nos períodos de maior transmissão.
