Circulação na EN1 Reaberta com Condições, mas Situação em Xai-Xai Permanece Crítica


A principal via terrestre de Moçambique, a Estrada Nacional Número Um (EN1), teve o tráfego restabelecido hoje, 30 de Janeiro de 2026, no troço que liga 3 de Fevereiro a Incoluane, depois de uma interrupção que durou quase duas semanas devido às cheias provocadas pela estação chuvosa. Esta secção, vital para o fluxo de pessoas e mercadorias entre a província de Maputo e o resto do país, volta a ser transitável, embora de forma condicionada. 


Segundo a Administração Nacional de Estradas (ANE), a reabertura foi possível graças ao esforço concentrado das equipas técnicas e dos empreiteiros, que conseguiram repor a transitabilidade em menos tempo do que os 15 dias inicialmente previstos. Para gerir o fluxo de veículos, foi implementado o sistema “Stop and Go”, que permite a circulação alternada em ambos os sentidos, reduzindo o risco de congestionamentos e acidentes. 


O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, presente na cerimónia de reabertura, realçou que o Governo continuará “a monitorizar a situação”, inclusive noutras zonas afectadas pelas inundações, e que esforços adicionais estão em curso para garantir a reparação integral das infra-estruturas danificadas. 


Autoridades rodoviárias apelaram à prudência dos automobilistas e recomendaram que evitem viajar durante a noite e obedeçam à sinalização temporária instalada ao longo do troço reaberto. 


Apesar da retoma da circulação no troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, a EN1 permanece intransitável na cidade de Xai-Xai, província de Gaza. Águas de cheia destruíram partes da via e do dique de protecção, nomeadamente na zona da ponte sobre o rio Nguluzane, deixando cortes que ainda impedem a circulação normal naquela zona urbana. 


O edil de Xai-Xai afirmou que, embora o nível das águas esteja a baixar, a reabertura total da estrada naquela cidade ainda não é possível, e equipas estão já no terreno para iniciar os trabalhos de emergência de reparação. 


Durante a interrupção da EN1, muitas famílias e passageiros que ficaram retidos recorreram a alternativas, incluindo o transporte marítimo entre Xai-Xai e Chicumbane, onde surgiram queixas quanto ao elevado custo e desafios logísticos, especialmente para passageiros com poucos recursos. 


A falta de pontes móveis disponíveis no sul do país também foi tema de controvérsia, com organizações locais a questionarem a ausência destas estruturas em zonas críticas como 3 de Fevereiro–Incoluane, apesar de existirem no norte e centro do país. 


O restabelecimento da EN1 ocorre num contexto de alerta vermelho nacional decretado pelo Governo devido às chuvas intensas, que têm causado inundações generalizadas, afectando dezenas de milhares de pessoas, danos em infra-estruturas e determinação de medidas como o adiamento do ano lectivo em várias províncias. 

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