Nipepe entra para a história industrial com inauguração de fábrica de grafite de classe mundial


Nipepe, na província de Nampula, passou hoje a figurar no mapa da grande indústria nacional, com a inauguração da Fábrica de Processamento de Grafite da DH Grafite, uma das maiores unidades do género a nível mundial e a segunda instalada em Moçambique.


A infra-estrutura foi inaugurada pelo Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, num acto que assinala um passo estratégico na transformação local dos recursos minerais e na consolidação da independência económica do país, há muito defendida nos discursos oficiais, mas raramente materializada à escala industrial.


Avaliado em cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos, o empreendimento distingue-se por integrar toda a cadeia de valor, desde a prospecção e extracção até ao processamento e comercialização do grafite. A unidade permitirá a produção de grafite puro de elevada qualidade, destinado tanto ao mercado interno como à exportação, reduzindo de forma significativa a dependência da exportação de matéria-prima bruta.



Falando na cerimónia, o Chefe do Estado destacou que o projecto representa “uma viragem estrutural” na economia nacional, ao criar capacidade interna de transformação e ao posicionar Moçambique como fornecedor competitivo de produtos minerais com valor acrescentado no mercado internacional.


Do ponto de vista social e económico, o impacto já se faz sentir. Actualmente, a fábrica emprega cerca de mil trabalhadores efectivos e mais de 200 sazonais, maioritariamente jovens da região. Segundo dados avançados pela empresa e confirmados por autoridades locais, a meta é atingir até cinco mil postos de trabalho directos e indirectos nas fases subsequentes de expansão do projecto.


Para além da componente industrial, o investimento trouxe consigo um pacote de infra-estruturas consideradas estruturantes para o desenvolvimento do distrito. Entre as realizações constam a construção da estrada de ligação entre Nipepe e Malema, uma linha eléctrica com subestações, bem como projectos sociais que incluem reassentamento digno das comunidades, habitação, uma escola, uma unidade sanitária e uma esquadra policial.


As autoridades distritais e provinciais sublinham que estas intervenções contribuem para melhorar as condições de vida da população e para assegurar que o crescimento económico gerado pela indústria se traduza em progresso colectivo e sustentável.


Com a entrada em funcionamento desta unidade, Moçambique dá um passo firme no abandono do modelo primário-exportador e afirma-se, de forma concreta, como país produtor e transformador, capaz de tirar maior proveito dos seus próprios recursos naturais.

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