O Tribunal Judicial da Província de Sofala iniciou, ontem, a audição de julgamento de Samuel Ernesto, jovem acusado de envolvimento na morte da sua ex-namorada, Sharon Domingos, de 18 anos, cujo corpo foi encontrado em Maio de 2025 numa vala de drenagem, no bairro de Matacuane, na cidade da Beira.
Durante a sessão, presidida pelo juiz da Quinta Secção, o arguido rejeitou todas as acusações que sobre si recaem. Samuel Ernesto, que exercia a actividade de moto-taxista, confirmou ter mantido uma relação amorosa com a vítima, mas sustentou que o namoro já havia terminado antes do desaparecimento da jovem. Segundo declarou em tribunal, o último contacto com Sharon ocorreu na noite em que esta lhe levou um bolo de aniversário, negando, porém, tê-la transportado ou acompanhado, alegando receio de conflitos com a sua actual esposa.
Fontes judiciais indicam que o depoimento do arguido foi contestado por amigas da vítima, chamadas a depor como testemunhas. Estas afirmaram que a relação entre o casal era marcada por desentendimentos frequentes e que, contrariamente ao que foi dito pelo acusado, ambos ainda mantinham uma ligação afectiva na altura dos factos. No entanto, os testemunhos apresentaram inconsistências relevantes, sobretudo quanto às datas e horários em que Sharon Domingos teria sido vista pela última vez na companhia do arguido.
Essas contradições acabaram por fragilizar a acusação. Perante o tribunal, a magistrada do Ministério Público, Filosa Mamad, reconheceu a inexistência de provas materiais que estabeleçam uma ligação directa entre Samuel Ernesto e o crime. Com base no princípio da dúvida, consagrado no ordenamento jurídico moçambicano, o Ministério Público requereu formalmente a absolvição do arguido, por considerar que os elementos constantes no processo não são suficientes para sustentar uma condenação.
O caso gerou forte comoção social na Beira, sobretudo pela juventude da vítima e pelas circunstâncias em que o corpo foi encontrado, levando a uma atenção pública significativa sobre o desfecho do processo. De acordo com informações confirmadas junto do Tribunal Judicial de Sofala, a leitura da sentença está agendada para o próximo dia 11 de Fevereiro, data em que se decidirá se Samuel Ernesto será absolvido e restituído à liberdade ou se enfrentará uma condenação.
Até lá, o processo permanece em fase de deliberação, com o tribunal a analisar os argumentos apresentados pela acusação e pela defesa, num caso que continua a mobilizar a opinião pública local e a levantar debates sobre a produção de prova em processos-crime de elevada sensibilidade social.
