Depois de longos dias de batalha pela vida, faleceu na tarde desta terça-feira Ali Mahomed Hassan, mais conhecido no meio futebolístico nacional e internacional como Ali Hassan, antigo médio defensivo da selecção moçambicana e figura incontornável no Desportivo de Maputo e no futebol europeu. A sua partida ocorre aos 61 anos de idade e deixa um legado profundo no desporto moçambicano.
Ali Hassan nasceu a 4 de Junho de 1964, em Maputo, onde começou a sua carreira nos escalões de formação antes de se afirmar no Grupo Desportivo de Maputo, clube que o projetou para o futebol profissional e que lhe abriu as portas para a carreira nos palcos mais exigentes da modalidade. O seu desempenho sólido no meio-campo rapidamente chamou a atenção além-fronteiras e em 1988 assinou pelo Sporting Clube de Portugal — uma transferência que passou por disputa com o rival Benfica pela sua contratação.
Em Portugal, Ali Hassan vestiu a camisola dos leões entre 1988 e 1991, representando o clube em mais de duas dezenas de partidas na Primeira Divisão portuguesa e tornando-se um dos poucos futebolistas moçambicanos da sua geração a competir naquele nível. Além da sua passagem pelo Sporting, atuou também por clubes como o Vitória de Setúbal, Amora, Académico de Viseu e Torres Novas antes de regressar ao seu país natal para enveredar pela carreira técnica.
Na selecção nacional, Ali Hassan foi internacional por Moçambique durante a década de 1990, integrando o grupo que participou na Taça das Nações Africanas de 1996 — uma geração que ajudou a cimentar o prestigio futbolístico do país no continente.
Um dos episódios mais memoráveis da sua carreira foi o duelo com a lenda Diego Armando Maradona, quando representou o Sporting diante do Nápoles numa competição europeia. Foi um momento de orgulho para o futebol moçambicano, marcando-o como um dos raros atletas do país a medir forças com alguns dos maiores nomes da história do desporto rei.
Depois de pendurar as botas, Ali Hassan dedicou-se à formação do talento local e ao futebol de base, incluindo funções técnicas na Liga Desportiva de Maputo, onde transmitiu a experiência acumulada aos mais jovens e continuou a influenciar positivamente o futebol nacional.
Homem de fibra, de caráter incansável e de profunda ligação à sua terra, o seu falecimento está a ser sentido em círculos desportivos e entre os adeptos que o acompanharam desde os campos da capital até às bancadas europeias. Várias entidades e figuras do futebol moçambicano já manifestaram condolências à família, sublinhando a contribuição de Ali Hassan para a elevação do nome de Moçambique no futebol internacional.
O funeral e cerimónias fúnebres serão anunciados pelas autoridades e pela família em breve. A comunidade futebolística lamenta uma perda irreparável, mas celebra uma carreira marcada por coragem, profissionalismo e dedicação ao desporto nacional.


