Cerca de 54 Famílias na Moamba Clamam por Apoio Urgente para Reconstrução Pós-Cheias


Pelo menos 54 famílias afectadas pelas recentes cheias no distrito da Moamba continuam a enfrentar uma situação humanitária delicada, após a desactivação dos centros de acolhimento temporário que haviam sido criados para prestar assistência às populações deslocadas. A informação foi apurada pela Televisão Miramar junto de fontes locais e autoridades distritais.


Dados recolhidos no terreno indicam que as inundações afectaram cerca de duas mil pessoas naquele ponto da província de Maputo, provocando a destruição parcial e, em muitos casos, total de habitações, bens domésticos e campos agrícolas, principal fonte de sustento das comunidades locais.


Durante o auge da emergência, o Instituto Agroindustrial da Moamba acolheu mais de meia centena de famílias desalojadas, garantindo abrigo temporário e assistência básica. Contudo, com a redução do nível das águas em algumas zonas, iniciou-se o processo de encerramento gradual do centro, obrigando várias famílias a regressarem às suas comunidades de origem, onde enfrentam agora enormes desafios para reconstruírem as suas vidas.


A responsável pelo centro de acolhimento, Angelina Savele, explicou que, apesar de se verificar alguma melhoria nas condições meteorológicas, a situação no terreno permanece crítica. Segundo referiu, várias residências continuam submersas ou estruturalmente comprometidas, impossibilitando o regresso seguro das famílias afectadas.


“As pessoas estão a tentar reorganizar-se, mas muitas perderam tudo. Há casas completamente destruídas e famílias sem qualquer material que possa ser reaproveitado para reconstrução”, afirmou.


Entre as principais necessidades identificadas pelas comunidades constam materiais de construção, incluindo chapas de zinco, cimento, estacas e pregos, bem como sementes e instrumentos agrícolas para o relançamento da produção alimentar. A maioria das famílias afectadas depende da agricultura de subsistência, actividade severamente prejudicada pelas cheias que devastaram machambas e comprometeram a próxima campanha agrícola.


Líderes comunitários alertam que, sem apoio urgente, existe o risco de agravamento das condições de vida, podendo surgir problemas associados à insegurança alimentar e à proliferação de doenças resultantes das condições sanitárias precárias.


Por sua vez, as autoridades locais reconhecem as dificuldades e apelam à solidariedade de parceiros governamentais, organizações não-governamentais e do sector privado para mobilização de recursos destinados à assistência humanitária e reabilitação das infra-estruturas habitacionais e produtivas.


Entretanto, equipas técnicas continuam a monitorar as zonas afectadas, avaliando os níveis de risco e identificando famílias que ainda necessitam de reassentamento ou apoio adicional para retoma gradual das suas actividades económicas.


A população da Moamba mantém a expectativa de que o reforço da ajuda humanitária possa acelerar o processo de reconstrução e devolver alguma estabilidade às comunidades severamente afectadas pelas cheias que, mais uma vez, expuseram a vulnerabilidade das zonas propensas a inundações no sul do país.

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