Ensino secundário diurno: algumas escolas passam a funcionar em três turnos


 Algumas escolas do ensino secundário poderão passar a funcionar em regime de três turnos diurnos, no quadro das medidas adoptadas pelo Governo para retirar do período nocturno os alunos com idade inferior a 18 anos. A iniciativa visa reforçar a segurança dos estudantes e melhorar as condições de ensino e aprendizagem, através da reorganização dos horários lectivos em turnos de manhã, tarde e intermédio.


A medida enquadra-se no processo de redimensionamento do ensino nocturno, promovido pelo Ministério da Educação e Cultura, que pretende, gradualmente, reduzir a frequência de adolescentes neste regime, tradicionalmente concebido para adultos que não concluíram a escolaridade em idade própria.


Segundo informações avançadas por responsáveis do sector, o redimensionamento do ensino nocturno não implicará o encerramento imediato desta modalidade, mas sim a sua redução progressiva, conforme a capacidade das escolas e as orientações das direcções provinciais de Educação. O Ministério esclareceu que o objectivo é transferir os alunos menores para o ensino diurno e reservar o regime nocturno, ou outras modalidades, para estudantes adultos. 


Paralelamente, o Executivo prevê reforçar o ensino à distância como alternativa para jovens e adultos que não possam frequentar aulas presenciais durante o dia. Um despacho governamental já determinou que o ensino nocturno deverá, gradualmente, ser substituído por modalidades de aprendizagem remota, com apoio de centros especializados instalados em escolas com condições adequadas. 


A introdução de um terceiro turno diurno surge como solução para acomodar o elevado número de alunos, numa altura em que o crescimento da procura pelo ensino secundário continua a pressionar as infra-estruturas escolares. Estudos sobre o sistema educativo moçambicano indicam que várias escolas já adoptaram, ao longo dos anos, regimes de múltiplos turnos para garantir o acesso à educação, sobretudo nas zonas urbanas, onde a densidade populacional é mais elevada. 


A experiência demonstra que o funcionamento em três turnos permite alargar o acesso ao ensino, embora exija maior organização administrativa e disponibilidade de docentes. Dados sobre o sistema educativo mostram que, em contextos semelhantes, as escolas distribuem as aulas entre manhã, tarde e noite, com direcções e equipas pedagógicas responsáveis por cada período. 


Para viabilizar a reorganização dos horários, o Governo anunciou a contratação de mais de dois mil professores para o presente ano lectivo, dos quais parte será colocada no ensino secundário. A medida pretende atenuar o défice de docentes e garantir a continuidade das actividades escolares, incluindo o recurso a horas extraordinárias, quando necessário. 


Especialistas do sector da educação defendem que a criação de turnos intermédios poderá contribuir para melhorar o rendimento escolar, reduzindo a fadiga associada às aulas nocturnas e reforçando a segurança dos estudantes, sobretudo em áreas urbanas onde os deslocamentos nocturnos representam riscos acrescidos.


Historicamente, o ensino nocturno em Moçambique foi concebido para adultos que pretendiam concluir a escolaridade. Contudo, devido à escassez de vagas no ensino diurno, muitos adolescentes passaram a frequentar este regime, situação que as autoridades procuram corrigir para garantir maior equidade e qualidade do ensino. 


A reorganização do ensino secundário insere-se, igualmente, no esforço mais amplo de expansão do Sistema Nacional de Educação, que visa aumentar o acesso à escolaridade obrigatória e assegurar melhores oportunidades de formação para a juventude moçambicana.


As autoridades educativas admitem que a implementação dos três turnos poderá enfrentar desafios logísticos, incluindo a gestão do tempo lectivo e a necessidade de reforço das infra-estruturas escolares. Ainda assim, defendem que a medida representa um passo importante para a melhoria do sistema educativo e para a protecção dos direitos dos alunos menores.


Observadores do sector consideram que, caso seja bem implementada, a reorganização poderá contribuir para elevar os níveis de aproveitamento escolar e reduzir o abandono, factores considerados essenciais para o desenvolvimento social e económico do país.

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