O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve, na cidade de Vilankulo, província de Inhambane, três funcionários do Hospital Distrital local, indiciados pelos crimes de corrupção passiva e negligência médica, na sequência da morte de uma paciente ocorrida na última terça-feira.
Trata-se de um técnico de farmácia, um enfermeiro de saúde geral e um técnico superior de instrumentação cirúrgica, todos afectos àquela unidade sanitária. As detenções resultam de denúncias formalizadas por familiares da vítima junto da Televisão Miramar e, posteriormente, encaminhadas às autoridades competentes.
Segundo relatos da família, os profissionais agora detidos terão exigido cerca de 20 mil meticais para garantir a prestação de cuidados médicos considerados urgentes. Diante da pressão e na tentativa de salvar a vida da paciente, os familiares procederam à transferência de 15.100 meticais. Ainda assim, a doente não recebeu a assistência adequada e acabou por perder a vida horas depois.
Contactado pela nossa reportagem, Alceres Cuamba, porta-voz do SERNIC em Inhambane, confirmou as detenções e avançou que, no decurso das diligências, alguns dos suspeitos já confessaram o envolvimento no esquema ilícito. “Os indiciados serão apresentados ainda hoje ao juiz de instrução criminal para a legalização da detenção e prosseguimento dos trâmites legais”, explicou.
Fontes locais do sector da saúde indicam que o caso expõe fragilidades graves no funcionamento de algumas unidades sanitárias periféricas, onde práticas ilegais como a cobrança ilícita por serviços públicos continuam a minar a confiança dos cidadãos no sistema nacional de saúde. A mesma fonte refere que decorrem averiguações internas para apurar se há mais profissionais envolvidos.
Entretanto, a direcção do Hospital Distrital de Vilankulo escusou-se a prestar declarações detalhadas, limitando-se a assegurar que está a colaborar com as autoridades e que medidas disciplinares serão tomadas à luz dos resultados das investigações.
O SERNIC apela à população para que continue a denunciar actos de corrupção e negligência médica, sublinhando que o combate a estas práticas é essencial para garantir um atendimento digno, humano e conforme a lei. Aqui não há floreados: saúde não se vende, e quem brincar com a vida alheia vai responder em tribunal.

