A administradora do distrito de Xai-Xai e o seu chefe de gabinete encontram-se detidos, indiciados no alegado desvio de bens alimentares e outros produtos destinados às populações afectadas pelas cheias que fustigaram várias zonas da província de Gaza.
Informações tornadas públicas por fontes locais, com destaque para a TV Sucesso, dão conta de que os bens em causa integravam a ajuda humanitária mobilizada no âmbito das acções de emergência, visando apoiar famílias que perderam casas, culturas agrícolas e meios de subsistência em consequência das inundações recentes.
Entre os produtos alegadamente desviados constam alimentos de primeira necessidade e outros artigos essenciais, canalizados para resposta rápida às comunidades em situação de vulnerabilidade extrema. O material deveria chegar directamente aos centros de reassentamento e pontos de distribuição previamente definidos pelas autoridades locais e parceiros humanitários.
Na sequência das suspeitas, as autoridades competentes avançaram com a detenção dos dois dirigentes, medida que visa permitir o aprofundamento das investigações e a recolha de elementos probatórios. O processo segue agora os trâmites legais, cabendo à justiça apurar responsabilidades individuais e determinar as medidas a aplicar, caso se confirmem as acusações.
O alegado desvio de bens em contexto de calamidade pública está a provocar forte indignação social. Para líderes comunitários e cidadãos ouvidos no terreno, trata-se de um acto que agrava o sofrimento de quem já perdeu quase tudo e mina a confiança nas instituições do Estado. “Em tempos de cheias, a ajuda não é favor; é dever”, resume um residente afectado.
Organizações da sociedade civil defendem transparência total no processo e celeridade na reposição dos bens às famílias necessitadas.


