Fingiam ser polícia e cobravam “multas”: dois detidos em Marracuene
Dois cidadãos encontram-se detidos nas celas do Comando Distrital de Marracuene, na província de Maputo, indiciados de prática de crimes de extorsão e usurpação de funções, ao fazerem-se passar por agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), com o objectivo de obter dinheiro de forma ilícita.
Segundo dados apurados junto de fontes policiais locais, os indivíduos actuavam em conluio, sendo que um deles simulava ser agente da corporação, enquanto o outro, alegadamente funcionário do município, desempenhava o papel de intermediário, facilitando o contacto com as vítimas e conferindo aparência de legitimidade ao esquema.
O caso veio à tona após uma denúncia apresentada por um operador económico, que vinha sendo pressionado pelos suspeitos a desembolsar a quantia de 350 mil meticais, sob promessa de “anulação” de multas avaliadas em cerca de 500 mil meticais.
De acordo com a vítima, os indivíduos alegavam ter influência junto das autoridades e garantiam resolver o processo fora dos trâmites legais, desde que fosse efectuado o pagamento exigido.
A detenção ocorreu numa operação desencadeada pela PRM, na qual os suspeitos foram surpreendidos em flagrante. Durante a acção, as autoridades apreenderam diverso material utilizado para sustentar o esquema, incluindo coletes com características semelhantes aos usados pela polícia, algemas, máscaras e carteiras falsas de identificação.
A porta-voz da PRM na província de Maputo, Carminha Leite, confirmou a ocorrência e assegurou que decorrem diligências com vista a esclarecer todos os contornos do caso.
“Estamos a trabalhar para confirmar a real identidade do indivíduo que se fazia passar por agente e apurar a proveniência do material apreendido”, afirmou.
As autoridades não afastam a hipótese de envolvimento de mais pessoas, nem a existência de outros lesados, apelando, por isso, à denúncia de situações semelhantes.
Por seu turno, o Presidente do Conselho Municipal de Marracuene, Shafee Sidat, advertiu os munícipes a não se deixarem enganar por esquemas do género, sublinhando que o pagamento de quaisquer taxas ou multas deve ser feito exclusivamente através dos canais oficiais.
“Os cidadãos devem evitar negociações informais. Todas as obrigações fiscais devem ser tratadas directamente nas instituições competentes”, frisou.
Casos de falsos agentes têm vindo a ganhar terreno em diferentes pontos do país, explorando o desconhecimento e, em alguns casos, o receio dos cidadãos perante as autoridades.
Especialistas em segurança pública defendem maior vigilância comunitária e campanhas de sensibilização, de modo a travar este tipo de práticas, que, para além de lesarem financeiramente as vítimas, mancham a imagem das instituições do Estado.
Entretanto, os dois detidos deverão ser presentes ao Ministério Público para os devidos procedimentos legais, podendo responder pelos crimes de burla, extorsão e falsificação de documentos.

