A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, defendeu, esta terça-feira, no Quénia, o reforço da formação bilíngue em Moçambique, como estratégia central para facilitar o acesso de estudantes nacionais ao ensino superior internacional.
Falando à margem de um encontro de cooperação bilateral, a governante sublinhou que um número considerável de jovens moçambicanos conclui o ensino secundário com ambições de prosseguir os estudos fora do país, mas esbarra em limitações linguísticas, sobretudo no domínio da língua inglesa.
Segundo Maria dos Santos Lucas, a aposta numa formação bilíngue, com enfoque particular no inglês, constitui uma condição quase obrigatória para que os estudantes possam competir em igualdade de circunstâncias em programas académicos internacionais. “A formação bilíngue é fundamental para que os nossos estudantes possam aproveitar oportunidades”, referiu.
A ministra revelou que o Governo do Quénia disponibilizou cerca de 100 bolsas de estudo para cidadãos moçambicanos, uma oportunidade que, contudo, ainda não está a ser plenamente aproveitada, em grande medida devido às barreiras linguísticas.
Este cenário levanta um ponto directo: há oportunidades, mas falta preparação. E aqui não há volta a dar — sem inglês funcional, o acesso ao ensino superior global torna-se praticamente impossível.
Para além da educação, Moçambique e Quénia continuam a consolidar relações em múltiplos domínios, incluindo comércio, defesa e mobilidade. Entre os avanços mais visíveis está o processo de isenção de vistos entre os dois países, medida que poderá facilitar a circulação de estudantes, empresários e profissionais.
A aposta na capacitação linguística surge, assim, como uma peça-chave na estratégia do Governo para potenciar os benefícios da cooperação internacional e garantir maior inserção dos jovens moçambicanos em universidades estrangeiras.
