Ruanda mantém compromisso no combate ao terrorismo em Cabo Delgado apesar de incertezas sobre financiamento europeu


O Governo do Ruanda reafirma o seu compromisso com as operações de combate ao terrorismo no norte de Moçambique, mesmo perante dúvidas quanto à continuidade do financiamento da União Europeia (UE), assegurando não ter informação oficial sobre qualquer corte de apoio.


Segundo informações avançadas por fontes governamentais ruandesas e repercutidas por órgãos locais, Kigali sustenta que continua empenhado na estabilização da província de Cabo Delgado, onde as suas forças estão destacadas desde 2021, em apoio às Forças de Defesa e Segurança de Moçambique. 


A posição surge numa altura em que cresce a incerteza em torno do financiamento europeu à missão ruandesa, cujo actual ciclo termina em Maio próximo, após três anos de apoio avaliado em cerca de 40 milhões de euros. 


Autoridades ruandesas afirmam que não receberam qualquer comunicação oficial da União Europeia sobre a interrupção do financiamento, afastando, para já, cenários de retirada imediata das suas tropas.


Ainda assim, admitem que a continuidade da missão poderá depender de garantias de financiamento sustentável, sublinhando que o esforço militar envolve custos elevados e um compromisso prolongado no terreno. 


O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda já havia alertado que, sem um quadro financeiro claro, o país poderá rever a sua presença militar em Cabo Delgado, o que levanta preocupações quanto à segurança na região.


Por seu turno, o Governo moçambicano afirma não ter recebido qualquer notificação oficial sobre o fim das missões internacionais, incluindo a do Ruanda.


O Presidente da República, Daniel Chapo, garantiu recentemente que tanto a missão ruandesa como a missão de assistência militar da União Europeia continuam em vigor e a funcionar normalmente, estando ainda dentro dos prazos estabelecidos. 


Maputo indica que aguarda decisões formais no fim dos actuais mandatos, mantendo contactos diplomáticos com parceiros internacionais para assegurar a continuidade do apoio à luta contra o extremismo violento.


As forças ruandesas têm sido consideradas determinantes na recuperação de áreas estratégicas outrora controladas por grupos insurgentes, incluindo zonas com forte interesse económico, como os projectos de gás natural em Cabo Delgado.


Analistas e responsáveis europeus reconhecem que a estabilidade relativa alcançada na região resulta, em grande medida, da acção combinada das forças moçambicanas, ruandesas e da missão da SADC. 


Apesar das incertezas, a União Europeia afirma estar em diálogo contínuo com Moçambique para avaliar possíveis mecanismos de apoio futuro, embora sublinhe que decisões sobre a presença ruandesa cabem, em primeira linha, aos governos de Maputo e Kigali. 


O cenário actual aponta para um momento decisivo: ou se redefine o modelo de financiamento internacional, ou Moçambique poderá enfrentar uma reconfiguração do apoio militar estrangeiro no combate ao terrorismo.

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